Professores da rede pública dão 2,6 ao Governo do Estado
Cotidiano 29/12/2014 14h03

Por Fernanda Araujo

Os professores da rede pública de Sergipe dão média de 2,6 ao governo do Estado, em 2013 foi (4,6). Em 2012, o Governo recebeu a nota 2,1, a mais baixa dos últimos oito anos. A avaliação chamada de “Prova Final da Educação Pública” é tradicionalmente realizada pelo Sintese entre os educadores nos finais de ano para avaliarem como as gestões municipais e do governo conduziram a política pública educacional.

Somente Aracaju fica de fora da lista porque os professores da rede municipal aracajuana são filiados ao Sindipema. Dos municípios sergipanos, a cidade de Siriri permaneceu, como em 2013, com a maior nota, um 7, reduzindo apenas oito décimos, e Itabaiana subiu na avaliação para 6,7. Já entre a maioria que foi reprovada, a gestão da prefeita Rivanda Farias de São Cristóvão obteve a mesma média do ano passado 0,5, e Riachão do Dantas recebeu a segunda pior nota 0,7, a terceira ficou para Salgado e Ilha das Flores com 1,1.

Os gestores foram avaliados de zero a dois nos quesitos valorização profissional; gestão democrática; política educacional e a qualidade social do ensino; garantia de direitos do Plano de Carreira e Estatuto; condições de trabalho (estrutura física das escolas, manutenção de equipamentos e etc). A média final foi obtida a partir da soma dos pontos. As notas foram depositadas por cada professor em 174 urnas que passaram por escolas municipais e estaduais e em demais locais de trabalho onde há professores filiados ao Sintese até o último dia 19 de dezembro.

Na avaliação da presidente do Sintese, Ângela Melo, mais uma vez as ações implementadas do governo estão reprovadas, como o projeto aprovado pelos deputados a qual retirou o direito do terço dos educadores, entre outros. O sindicato dará entrada no Tribunal de Justiça pedindo o retorno do terço e que a votação seja anulada. Além disso, para a sindicalista, a nota foi resultado dos atrasos salariais deste ano, da falta da tabela de pagamento e das incertezas de quando sairá o pagamento do mês de dezembro.

Sobre a pior nota atribuída a São Cristóvão, Ângela lembra que a prefeita, ao assumir, retirou direitos e, constantemente, age sem haver diálogo com a categoria. Já com a segunda melhor nota de Itabaiana, a presidente acredita que os professores deram 6,7 por estarem em negociação com o prefeito Valmir dos Santos Costa. “Independente do município ser pequeno ou grande, rico ou pobre, os gestores na sua maioria não implementam na educação o que manda a lei. Tem municípios pequenos que só tem recursos do FPM e o Fundeb e eles conseguem dar o reajuste e negociar, tem outros ricos que não fazem. Na nossa avaliação, falta vontade política”, resume.

Segundo ela, o reajuste do piso de 2014 foi negociado com problemas. Ainda há uma média de 10 municípios que não implementaram. Casos como Aquidabã, Carira e São Cristóvão ainda faltam os reajuste de 2010 e 2011, além de cidades que não pagaram o 13º e nem o salário deste mês. “O reajuste do piso se dá por lei no mês de janeiro e os gestores tendem a protelar esse reajuste e fica um passivo trabalhista. Com alguns a gente negocia o passivo com outros a gente já entra com processo na justiça já que o gestor não quer negociar. Expectativa de 2015 é que logo em janeiro estejamos negociando o reajuste do piso com a previsão de 13,01%, se a legislação não mudar e não for feito manobras como sempre acontece”, conclui. 

A Secretaria de Estado da Comunicação encaminhou nota informando que "a administração estadual informa que não se reconhece neste número e não leva em consideração qualquer nota atribuída por este Sindicato. As avaliações reconhecidas pela Secretaria de Estado da Educação são as feitas pelo Ministério da Educação através do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)  e  Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), pois possuem metodologia definida  e avaliam com transparência a qualidade da educação em todos os estados brasileiros.

O secretário de Estado da Comunicação Social, Sales Neto, afirma que a nota do SINTESE é emitida em um momento em que eles tiveram seus interesses contrariados pela reforma de modernização da administração estadual. “Esta nota dada pelo SINTESE ao governo vem contaminada pelo rancor de quem teve interesses contrariados por defender artigos na Lei que não existem mais em nenhum estado brasileiro”, disse.

O secretário de Comunicação acrescenta que quando o sindicato atribui uma nota baixa a qualidade da educação pública estadual, desgasta e atinge também os professores. “Isso é um  tiro no pé dos professores. Solidarizo-me com estes profissionais do ensino, aqueles que lecionam e lutam incansavelmente  pela melhoria  da qualidade da educação”. O secretário de Comunicação finaliza deixando uma colocação “O SINTESE deveria procurar saber qual a avaliação que a sociedade faz dele” sentenciou."    

 

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*Matéria atualizada às 18h24 para acréscimo de nota da SECOM

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