Quadrilha aproveitou falha no protocolo para falsificar RGs em SE
Cotidiano 17/04/2018 10h30 - Atualizado em 17/04/2018 10h39

Por Will Rodriguez

Uma falha no protocolo de emissão de carteiras de identidade facilitou a atuação de uma quadrilha que falsificou documentos no Instituto de Identificação de Sergipe. Essa é a conclusão dos investigadores da Operação Fenix, que resultou na prisão de nove pessoas acusadas de operacionalizar o esquema, nesta terça-feira (17) em Aracaju (SE).

Entre os presos estão servidores públicos lotados no Instituto de Identificação, um policial militar reformado, um agente penitenciário e um trabalhador autônomo (veja a relação abaixo).

De acordo com a Polícia Civil, que começou a coletar informações sobre o esquema fraudulento há cerca de dois anos, em uma das formas de atuação, pessoas ligadas às facções criminosas de outros estados conseguiam em um dia um documento que deveria levar até três meses para ser liberado.

“Temos uma população muito pequena para que, por dia, 215 pessoas tirem primeira via de documento. No primeiro trimestre deste ano, foram emitidas 62 identidades de indivíduos de outros estados. São números que assustam”, destacou a delegada Mayra Evangelista, que preside o inquérito.

A investigação, conforme informou Mayra, teve início após a desarticulação de uma organização criminosa baiana, conhecida como Bonde do Maluco, cujos integrantes foram presos no começo de 2016 no centro-sul sergipano.

“O preço de um RG para um criminoso procurado pela Justiça chegava a R$ 5 mil”, ressaltou a delegada, explicando que foram constatadas condutas dolosas, culposas e de negligência.

O grupo também aliciava pessoas, em sua maioria idosos, que faziam a emissão de RGs que seriam utilizados para outros fins, como a liberação de empréstimos bancários e benefícios previdenciários.

“Não dá para mensurar quantos documentos foram fraudados, mas as pessoas que compraram esses documentos também devem ser responsabilizadas”, acrescenta Evangelista.  

O coordenador geral de Perícia, Moisés Chagas, responsável pelo Instituto, disse ter ficado “surpreso” com a fraude, assim como também com a investigação que levou à prisão dos servidores.

Segundo a delegada Mayra Evangelista, a partir desse inquérito serão implementadas mudanças nos procedimentos de emissão das cédulas de RG a fim de “evitar que as falsificações se repitam”.

Entre os crimes investigados estão os de corrupção ativa e passiva que envolvem as falsificações, peculato e estelionato.

Presos
Gilberto Rodrigues de Santana, 69 anos;
José Marcelino Pereira Correia, 56 anos;
José Raimundo Araújo do Nascimento, 54 anos;
Gonçalo Bruno de Farias Rodrigues, 32 anos
Gildásio Góis, 50 anos;
Servando Emílio Prado Cabrera, 61 anos;
Josenildes Rodrigues de Santana, 64 anos
Carlos Henrique Constantino dos Santos, vulgo "Kaká", 51 anos;
Rodrigo César Dias.

Fotos: F5 News e SSP/SE

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