Radialistas realizam seminário contra violência na profissão
Em 2012, foram registrados dez casos de ameaças e assassinatos no país
Cotidiano 11/02/2014 12h30

Por Fernanda Araujo

‘Atacar comunicadores é atacar o direito humano à liberdade de expressão’. Esse é o tema do seminário que será realizado pelo Sindicato dos Radialistas de Sergipe (STERTS) no próximo sábado (15), das 9h às 17h. A discussão foi gerada devido às constantes ameaças contra a vida dos comunicadores em Sergipe.

Vítimas de ameaças de morte e violência no estado irão relatar aos participantes o que sofreram ou ainda têm sofrido ao exercer a sua profissão. Segundo o presidente do sindicato, Fernando Cabral, o objetivo é discutir e mostrar à sociedade o problema da violência contra radialistas no estado. “Trabalhar em comunicação tem se tornado cada vez mais uma profissão de constante risco. Os radialistas vivem em constantes ameaças de morte e violência. Os radialistas Alex Carvalho, Dudu Magalhães e Alex Henrique, por exemplo, já sofrem ameaças”.

De acordo com a programação, logo após um almoço haverá a participação da ONG Artcle 19, uma instituição internacional que tem feito levantamentos no Brasil sobre as estatísticas de violência contra radialistas. Seus representantes darão uma palestra para orientar os radialistas como se portar na rádio diante de denúncias e investigações, como forma de prevenção.

“Muitos comunicadores não têm noção de como se comportar e acabam sofrendo ameaças”, afirma Fernando Cabral. 

As inscrições podem ser feitas pelo telefone 3215-3755. São 50 vagas para o evento a realizar-se na sede do STERTS, no bairro Santo Antônio, em Aracaju. O coordenador nacional da Federação de Radialistas do Brasil (Fitert), José Antônio de Jesus, também estará presente.

Ameaças e assassinatos no país

Dados da Comissão Nacional de Direitos Humanos consta que em 2012, entre ameaças e assassinatos, foram registrados dez casos somente contra radialistas no país. Em 2013, ainda com o estudo não concluído, já contam oito. “Nunca na soma de dois anos chegou a 18 entre ameaças e assassinatos, lembrando que o dado de 2013 ainda não foi concluído. Isso é um dado alarmante e que precisa ser combatido”.

O radialista Edmilson de Jesus, de 40 anos, conhecido como ‘Edmilson dos Cachinhos’, foi assassinado a tiros enquanto trabalhava nos estúdios da rádio Princesa da Serra, em Itabaiana (SE), distante 58 km de Aracaju, na noite de domingo (28) em 2012. No ano de 2000 foi assassinado Wellington Costa, da Rádio Ouro Negro, de Carmópolis e em seguida, José Wellington Fernandes, o ‘Zezinho Cazuza’, em Canindé do São Francisco atingido por um tiro de uma escopeta quando se dirigia a sua casa. E faz 12 anos que aconteceu o assassinato de Cláudio Rotay. O crime aconteceu no dia 17 junho de 2002, no bar do Barreto, local onde o radialista estava com seus dois seguranças.

Ontem teve morte cerebral o cinegrafista da Bandeirantes, Santiago Ilídio Andrade, de 49 anos, foi atingido na cabeça por um rojão num protesto no Rio de Janeiro na última quinta-feira (6). “A Associação e a Federal dos Radialistas do Brasil enviaram nota de repúdio de imediato no dia que aconteceu o fato e nota de pesar. O sindicato tem cobrado empenho da polícia nas investigações, buscado apurar cada caso, proteger a categoria, e meios legais de atender a categoria”, conta Fernando Cabral.

O presidente relata que em conversa com o presidente do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro, Miguel Walter, uma proposta de reivindicação havia sido enviada em 2013 às empresas de comunicação locais, obrigando-as a disponibilizarem capacete e colete a prova de balas a todos os radialistas que forem cobrir manifestações. No entanto, a proposta não foi aceita, o que poderia ter evitado a morte do cinegrafista se já estivesse utilizando o capacete.

Hoje às 20h a diretoria do sindicato fará uma assembleia com a categoria. Durante a campanha salarial irão assinar a proposta de que as empresas de radiocomunicação do Estado de Sergipe sejam obrigadas a darem capacetes e colete a prova de balas aos radialistas que forem fazer tanto manifestações quanto eventos de grande porte, a exemplo do Pré-Caju. Na segunda-feira a reivindicação será entregue aos patrões.

Imagem: divulgação

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