Roubos de celulares são constantes, mas falta de registro dificulta ação da Polícia
Cotidiano 22/07/2017 09h08 - Atualizado em 24/07/2017 14h13

Por Fernanda Araujo

A prática de roubo de celulares é rotineira em várias regiões do país. Em Sergipe, não é difícil encontrar alguém que já teve aparelhos surrupiados, que costumam parar nas mãos de receptadores, em muitos casos, ligados ao tráfico de drogas. Para as vítimas, fica o emocional afetado e o prejuízo no bolso. Para a polícia, a dificuldade de combater um crime cujos registros são escassos.

A universitária Monique Cortes, 21, chegou a perder três celulares por roubo num intervalo de apenas dois meses este ano, duas vezes no Centro da capital, nas proximidades da rodoviária velha, e a última na cidade de Maruim. Em uma das ações, ela chegou a ser agredida covardemente por um grupo de assaltantes após ter reagido.

“Eu estava andando quando um homem puxou meu cabelo e pegou o celular da minha mão, eu o puxei para pegar o celular de volta e ele acabou me agredindo com dois socos na cabeça. Eu cai no chão e chegaram outros dois comparsas, foi quando eu levantei e corri para ver se encontrava algum policial na rodoviária, mas só encontrei um guarda que me ajudou a fazer os procedimentos”, conta. Os dois primeiros celulares da vítima custavam R$ 700 e o terceiro, R$ 900.

Há três meses, Evelyn Santos, 22, representante de atendimento, estava em um ônibus na Avenida Maracaju, norte da capital, quando quatro pessoas armadas com facões entraram no transporte pela porta traseira e anunciaram o assalto. Esta foi a terceira vez que Evelyn viveu essa experiência . “Um dos marginais que me abordou parecia ser menor de idade, ele colocou a faca em meu braço e pediu o celular, a mulher que estava junto com eles começou a me apalpar, mas de imediato entreguei o celular a ela. Naquele momento fiquei apavorada, com medo de esboçar uma reação e eles acabarem me ferindo”, lembra.

A representante de telemarketing G.C.S, de 25 anos, também foi vítima. “Em 2015 estava com mais duas colegas de trabalho, andávamos na Orla do Bairro Industrial depois de almoçar, quando veio um rapaz numa bicicleta que nos abordou com uma arma. Eu disse que não tinha celular e as outras duas deram. Mas eu guardava o celular entre os seios, o bandido apontou a arma e percebeu. Antes de entregar pedi o chip e o cartão de memória. Ele deixou porque disse que eu era bonitinha”, diz.

A Secretaria de Segurança Pública de Sergipe não contabiliza especificamente o número de crimes de roubo/furto de celular. São computados apenas os registros do crime roubo em geral. Outro entrave na repressão desse tipo de ação criminosa é que a maioria das vítimas não registra a ocorrência em uma delegacia.

“O Boletim de Ocorrência faz toda a diferença, por meio dele identificamos as áreas com maior incidência e identificamos a mancha criminal. Podemos fazer um trabalho naquele local específico onde está tendo mais roubo. Se o cidadão não informa, a polícia não tem como saber”, afirma a delegada Viviane Pessoa, coordenadora das Delegacias da Capital.

Segundo a SSP/SE, quem adquire um produto de roubo ou furto responde pelo crime de receptação - a simples,,cuja pena vai de um a quatro anos de reclusão, ou a receptação qualificada, em que a pena é ampliada de três a oito anos. A delegada Viviane Pessoa alerta que quem adquire produto de roubo e furto, visando obter alguma vantagem no preço, fomenta esse tipo de crime e acaba ajudando o criminoso.

“Se ele não tem a quem vender não vai roubar para repassar. Quem compra mais na frente pode ser vítima. Se você foi vítima de um furto ou roubo, o primeiro passo é registrar o Boletim de Ocorrência, porque nesse momento a autoridade policial dará as orientações do que fazer a seguir”, ressalta Pessoa.

Proteção

Ter um aparelho com rastreador facilita que a polícia identifique o suspeito e recupere o aparelho, por isso, é preciso que a ferramenta esteja sempre ativa. “Evitar furto e roubo passa por você evitar lugares ermos, evitar horários que são mais arriscados de estar sozinho na rua, evitar estar com o vidro aberto parado dentro de um veículo. Tudo que coloque a pessoa em situação de vulnerabilidade, quanto mais vulnerável ela fica, mais fácil fica para quem quer roubar ou furtar”, aconselha a delegada.

A vítima pode se proteger bloqueando o aparelho, podendo conseguir recuperar o número do telefone, e deve ainda informar a autoridade policial. Já o consumidor que for comprar um aparelho celular pode, agora, consultar se ele foi bloqueado por restrição de roubo, furto ou extravio, através do site (https://www.consultaaparelhoimpedido.com.br/public-web/welcome) no Cadastro de Estações Móveis Impedidas (Cemi). A medida da SindiTelebrasil - entidade que reúne as operadoras de telefonia - objetiva  ao menos tentar que aparelhos irregulares não possam mais entrar no mercado ilegal de revenda. Atualmente 8,2 milhões de aparelhos estão registrados como impedidos pelas operadoras de telefonia.

O consumidor poderá ainda pedir ressarcimento se comprou o celular no mercado formal que não esteja homologado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ou que teve o IMEI (registro de aparelhos equivalente ao chassi do carro) clonado ou adulterado. A pessoa pode solicitar a substituição do produto ou restituição do valor pago com correção monetária. O aumento da comercialização sem certificação ou sem registro válido, principalmente pela internet, foi o estopim para que a Anatel acelerasse o processo para bloqueio dos aparelhos irregulares.

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