Saúde de Aracaju diz que tem crédito de R$ 4,3 milhões com Cirurgia
Cotidiano 17/11/2017 14h50 - Atualizado em 17/11/2017 16h27Por Will Rodriguez
A Secretaria da Saúde de Aracaju contesta o débito cobrado pelo Hospital de Cirurgia e diz que há um crédito equivalente ao dobro do valor cobrado, decorrente de serviços contratados, mas que não teriam sido prestados pela unidade beneficente. “A Secretaria não tem nada que pagar ao Cirurgia e nem pode pagar aquilo que já pagou”, disse a secretária Waneska Barbosa, em entrevista ao F5 News nesta sexta-feira (17).
O contrato em vigência foi celebrado em 2015 e tem validade até dezembro deste ano. Conforme os dados apresentados pela secretária, em 2017, o hospital já executou R$ 129 milhões do contrato e a Secretaria pagou R$ 133 milhões. Desse total, segundo a pasta, há um montante de R$ 4,3 milhões em créditos a receber do Hospital Cirurgia por serviço não executado.
“O valor é pago de acordo com a produção do hospital. A gestão pública é impessoal, aliás, já se passaram várias gestões e o problema é sempre o mesmo, será se o problema está na secretaria ou no Cirurgia? O que precisa saber é o que o hospital fez com o dinheiro que foi adiantado. Não é a Secretaria que tem que aportar mais dinheiro, senão o gestor público vai responder por isso”, contesta a secretária.O Hospital diverge dessa conta e cobra o repasse de R$ 2,6 milhões que estariam em atraso.
Quem paga a conta
O impasse entre a Prefeitura e o Hospital Cirurgia foi discutido após a direção da unidade ter registrado um Boletim de Ocorrência contra o órgão. A secretária Waneska Barbosa afirmou que ainda não foi notificada, mas vai se apresentar à polícia para prestar esclarecimentos.
Enquanto as partes não terminam o jogo de empurra, a população paga a fatura. Os atendimentos no Hospital Cirurgia estão parcialmente suspensos, alguns médicos já começam a pedir demissão em função do atraso salarial, e mais de 600 pessoas aguardam regulação para uma cirurgia. A Secretaria rebate que não teria motivos da unidade suspender o atendimento já que os anestesiologistas e médicos da UTI são pagos por recursos federais que são repassados assim que recebidos.
A secretária diz ter evidências suficientes para rescindir o contrato com o Cirurgia, mas não o faz para não “penalizar” ainda mais a população, considerando que o hospital é o único do estado com certificações do Ministério da Saúde para algumas especialidades, como a cardiovascular. A partir da próxima segunda (20) a secretária vai entregar a “comprovação” ao TCE e ao MPE.
“O que é mensalmente considerado executado pelo hospital e que deve ser efetivamente pago é feito com a homologação de uma comissão de que o hospital faz parte. Existe uma pasta cheia de procedimentos encaminhados que o hospital não executou, inclusive o notificamos extrajudicialmente pela não execução. São alguns que podem custar vidas, inclusive para colocação de marca-passo, que o hospital se recusa a fazer”, completa Waneska.
O Hospital Cirurgia ainda deve se pronunciar sobre o assunto. A direção vai se reunir hoje e na segunda à tarde, e fará uma coletiva para rebater os argumentos da secretária de Saúde. Também na segunda, às 9h, os promotores da Saúde do Ministério Público do Estado realizam uma coletiva sobre os hospitais filantrópicos.
*Colaborou Fernanda Araujo
Foto: Will Rodriguez/F5 News

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