Saúde deve distribuir cerca de 150 mil preservativos em SE
Cotidiano 09/02/2018 12h00 - Atualizado em 09/02/2018 16h20

Por Saullo Hipolito*

Carnaval só combina com prevenção e cuidado, não é de hoje que os órgãos de saúde vêm alertando a população sobre os riscos que os foliões podem correr caso não estejam prevenidos. A camisinha é a principal forma de prevenção, mas existem outros métodos pouco conhecidos da população, principalmente quando o assunto é HIV.

Com o tema ‘Na festa tem que ter camisinha’, promovido pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), são desenvolvidos em Sergipe, desde o início das folias de carnaval, ações como teste rápidos gratuitos de HIV, Hepatite e Sífilis; distribuição de preservativos masculinos e femininos, géis lubrificantes à base de água, além de folhetos informativos.

Ações de prevenção também foram elaboradas em diversas empresas, divulgando a importância da prevenção e alertando os funcionários sobre os mais importantes cuidados com a saúde que as pessoas devem ter no carnaval.

Preservativos

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, anunciou o envio a todas as unidades da federação de mais de 100 milhões de preservativos.  “Esse quantitativo é relevante porque, como um dos motes da campanha é #vamoscombinar, queremos que os foliões de todo o Brasil, em conjunto com seus parceiros, se conscientizem da importância do uso de preservativos” explicou o ministro.  Para Barros, “campanhas como essa, que se estenderão por todo o ano em diversas festas populares ao longo de todo o ano, irão possibilitar ao país reduzir não só os números de HIV e Aids, como também de outras infecções sexualmente transmissíveis”.

Em Sergipe, o cálculo feito para todo o carnaval é uma média de 150 mil preservativos masculinos e femininos, com uma atenção maior no preservativo feminino. “Dentre todos os preservativos distribuídos, vamos buscar a divulgação da camisinha feminina, que ainda é desconhecida por muitas mulheres. Esse assunto precisa ser melhor trabalhado nas unidades de saúde”, disse o coordenador do Programa Estadual de IST’s, Almir Santana.

Na maioria das vezes as relações que acontecem na época do carnaval são ocasionais, então é indicado que o folião possua seu preservativo no bolso. “Com essas relações, todos estão expostos às diversas infecções, então não vale a pena só se preocupar depois de ter a relação sem camisinha”, afirma Almir.

Bloco da prevenção

É comum todo o ano, o bloco da prevenção desfilar pelas cidades sergipanas com o Camisildo, veículo em forma de camisinha que transmite a mensagem da conscientização. Nessa sexta-feira (9), a partir das 14h, o ‘Arrastão da Prevenção’ realizado no município de Estância, receberá o carro.

Na próxima segunda-feira (12), uma banda de frevo acompanhará os profissionais do Programa IST/Aids no retorno do Bloco da Prevenção, promovido pelo Governo de Sergipe, através da SES. A ação acontecerá durante as apresentações do Bloco Rasgadinho, cuja concentração será na avenida Pedro Calazans com Maruim, a partir das 14h.

“A Associação Cultural Rasgadinho (Acra) nos convidou e ofereceu uma banda de frevo, não teremos a estrutura de outras épocas, por conta dos problemas financeiros do Estado, como também, pelo convite que foi realizado de em cima da hora, mas estamos contentes e iremos passar a informação no bloco”, disse o médico Almir Santana.

Alerta

A campanha visa atingir a faixa sexualmente ativa. "Não existe a possibilidade de priorizar nenhuma faixa etária, tendo em vista que os adolescentes estão se relacionando sexualmente cada vez mais cedo”, alerta Almir.

Além das relações sexualmente transmissíveis, existe o cuidado para outros tipos de problemas que podem ser ocasionados no carnaval. De acordo com o médico, o carnaval é uma época de alto consumo alcoólico, fazendo com que as pessoas percam o medo, o cuidado, mudem seu comportamento e tomem condutas inadequadas.

“Tem gente que combina energético com bebidas alcoólicas, e essa mistura é perigosa porque pode causar arritmia cardíaca, outras pessoas utilizam medicamentos para prevenir a ressaca, mas não há nenhuma comprovação científica que esses medicamentos funcionem. Existem analgésicos, como paracetamol, que podem aumentar o risco de Hepatite aliado ao consumo das bebidas”, afirma o coordenador.

Vale ressaltar a atenção para o beijo na boca, tão disputado nessa época, que favorece o surgimento da mononucleose, ou mais conhecida como doença do beijo - uma infecção com o vírus Epstein-Barr, que segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), é componente da família do vírus da herpes.

Existe o risco para as mulheres que costumam ficar com o biquíni molhado o dia todo, provocando a candidíase vaginal. O médico recomenda, após a utilização de piscina ou praias, se limpar bem e se enxugar, para evitar maiores problemas. “Além disso, uma boa hidratação em conjunto com uma alimentação balanceada é essencial para quem vai passar o tempo todo nas festas, assim como evitar dirigir se vai beber”, alerta o médico.

Prevenção

Além da camisinha, a nova campanha aposta nas diversas formas de prevenção para evitar o HIV e promover a qualidade de vida de quem já vive com o vírus. Para os que por algum motivo tiveram relação desprotegida ou com algum risco, as unidades de urgência Nestor Piva e 24 horas no Augusto Franco, além de algumas no interior, oferecem a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que é um medicamento tomado por 28 dias, para evitar que exista a infecção.

Outra forma de prevenção é o Tratamento Antirretroviral (Tarv), medicamento que as pessoas que vivem com o vírus HIV devem tomar diariamente. Segundo os estudos Opposites Attract, Partner, HPTN 052 quando a pessoa em tratamento está com carga viral indetectável não transmite o vírus HIV para seus parceiros sexuais. Por isso, foi lançada, em Paris, a campanha U=U (Undetectable = Untransmittable) que em tradução para o nosso Português ficou I=I (Indetectável = Intransmissível).

A campanha explica que a ciência é clara: “pessoas que vivem com o HIV podem sentir-se confiantes de que, se tomarem seus medicamentos adequadamente e tiverem  carga viral indetectável, não transmitirão HIV para seus parceiros sexuais.” O objetivo é encorajar as pessoas com HIV a começar e permanecer em tratamento antirretroviral, cuidar da própria saúde e evitar a transmissão do vírus. “Quanto mais pessoas vivendo com HIV, que conhecem seu status, estiverem em tratamento bem sucedido, mais saudáveis serão e mais próximo chegaremos ao fim da epidemia”, afirma o texto da campanha.

É tido como carga viral indetectável como inferior a 40 cópias por ml de sangue, enquanto uma carga viral abaixo de 200 cópias/ml é considerada “viralmente suprimida” e, tal como o indetectável, não pode transmitir sexualmente o HIV. Em outras palavras, segundo a campanha, uma pessoa vivendo com HIV com uma carga viral consistente de 200 cópias/ml ou menos, não pode transmitir o HIV.

O hábito de não usar camisinha tem impacto direto no aumento de casos de e Aids entre os jovens. No Brasil, a epidemia avança na faixa etária de 20 a 24 anos, na qual a taxa de detecção subiu de 14,9 casos por 100 mil habitantes, em 2006, para 22,2 casos em 2016. Entre os jovens de 15 a 19 anos, o índice aumentou, passando de 3,0 em 2006 para 5,4 em 2016.

Atualmente, o SUS disponibiliza às pessoas vivendo com HIV o medicamento  dolutegravir, considerado como o melhor tratamento contra o HIV/aids no mundo. Cerca de 300 mil pacientes portadores do vírus receberão o tratamento em 2018. O novo medicamento apresenta um nível muito baixo de eventos adversos, o que é importante para os pacientes que devem tomar o medicamento todos os dias, para o resto da vida. Com menos eventos adversos, os pacientes terão melhor adesão e maior sucesso no tratamento.

De acordo com o último Boletim Epidemiológico de HIV e Aids divulgado, de 2007 até junho de 2017, foram notificados no Sinan 194.217 casos de infecção pelo HIV no Brasil, sendo 96.439 (49,7%) na região Sudeste, 40.275 (20,7%) na região Sul, 30.297 (15,6%) na região Nordeste, 14.275 (7,4%) na região Norte e 12.931 (6,7%) na região Centro-Oeste. No ano de 2016, foram notificados 37.884 casos de infecção pelo HIV, sendo 3.912 (10,3%) casos na região Norte, 7.693 (20,3%) casos na região Nordeste, 15.759 (41,6%) na região Sudeste, 7.688 (20,3%) na região Sul e 2.832 (7,5%) na região Centro-Oeste.

Recomendação

As pessoas que utilizam tanto o medicamento Antirretroviral, quanto anticoncepcionais, segundo o médico Almir Santana, devem evitar beber, pois o efeito do medicamento gera um efeito contrário, aumentando o risco de uma infecção, ou para as meninas, possível gravidez indesejada.

* Estagiário sob supervisão do jornalista Will Rodrigues.

Foto: Secretaria de Estado da Saúde 

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