Sem assistência, pacientes pedem fim do impasse entre PMA e Cirurgia
Cotidiano 24/11/2017 12h45 - Atualizado em 24/11/2017 14h30Por Fernanda Araujo
A desassistência no Hospital de Cirurgia, em Aracaju (SE), tem causado grandes dificuldades para os pacientes, inclusive os oncológicos. Além das cirurgias suspensas devido ao impasse entre o hospital e a Secretaria Municipal de Saúde, o problema agora é também com a máquina de radioterapia. Pacientes e familiares pedem uma solução.
“Fiz 25 sessões de rádio na mama, mas já tem um mês que o tratamento está parado, só preciso de cinco sessões para terminar. Já estou sentindo os efeitos dessa paralisação na minha saúde. Esse mês não fiz nenhum dia de tratamento e nem exames, se não continuar pode piorar a situação”, lamenta a paciente Tânia Maria Santos, de 50 anos (abaixo).
Segundo Sheila Galba, do Grupo Mulheres de Peito, 16 pacientes estão sem o tratamento de radioterapia desde o dia 14, e as cirurgias de mastectomia (retirada da mama) foram canceladas. Algumas só chegaram a fazer cinco sessões. De acordo com ela, a máquina não está quebrada e continua tratando pacientes com outras patologias de câncer, mas devido a um problema em uma peça do equipamento as pacientes com câncer de mama não podem ser tratadas. “Quebrou uma peça que não faz a máquina rodar, por ela não rodar não pode tratar as pacientes de mama”, lamenta.A assessoria de comunicação do hospital afirma que o problema foi causado por um defeito no giro do colimador, que auxilia no direcionamento da dosagem radioativa de acordo com cada tratamento.
O engenheiro foi acionado e deve chegar no domingo (27). As sessões de tratamento de outras patologias como câncer de laringe e de estômago, que dependem desse giro, também estão interrompidas.
Sobre as cirurgias de mastectomia, o hospital afirma que os procedimentos pelo SUS continuam suspensos por causa da dívida da Secretaria Municipal de Saúde.
Enquanto isso, há mais de 20 dias outras cirurgias na unidade estão suspensas. O hospital reclama um débito de R$ 2,6 milhões, fora outros valores ajuizados que chegam a R$ 20 milhões, e estima que existem pelo menos 200 pacientes aguardando por procedimentos cirúrgicos em especialidades.
Mas segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), somadas às transferências que já foram feitas neste ano, há um crédito de R$ 4,6 milhões com o Cirurgia.
“Minha avó de 78 anos está internada há um mês aguardando cirurgia de fêmur e nenhuma resposta. A médica diz que a fratura pode agravar. Ela tem pressão alta, usa sonda permanente, e nós da família ficamos preocupados. Os pacientes sofrem pressão psicológica, teve um senhor que faleceu esperando por cirurgia. Todos temem morrer”, conta Tamires Lima Santos.
A dona de casa Telma Santos (foto) também acompanha o seu tio de 93 anos, transferido do Huse, que há quase dois meses aguarda ser operado do fêmur. O idoso chegou a ser levado para o Centro Cirúrgico na última quarta-feira, mas saiu sem fazer a cirurgia.
“Queremos que alguém lembre que aqui tem gente, se a gente tivesse condições não estaríamos nessa situação, cada um pagava a cirurgia e estaria resolvido. Meu tio prefere morrer em casa a ter que esperar. Não somos animais”, se revolta.
Fotos: Fernanda Araujo
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