Sem recursos, Universidade Federal de Sergipe pode fechar as portas
Cotidiano 01/08/2017 13h50 - Atualizado em 01/08/2017 20h31Por Fernanda Araujo
Com o orçamento cada vez mais enxuto, a Universidade Federal de Sergipe (UFS), campus São Cristóvão, corre o risco de encerrar o período do ano e até fechar as portas, caso os recursos federais não cheguem até o mês de outubro. É o que adverte o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação da UFS (Sintufs) e a Associação dos Docentes da UFS (Adufs), que realizaram uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (1).
A verba de custo, utilizada para pagar água, energia e telefone da universidade, deve acabar em setembro e a assistência estudantil, que é liberada para estudantes de baixa renda, sofreu corte em mais de R$ 1 milhão, o que levou à redução das bolsas de estudo e a uma série de problemas na UFS.
A situação, segundo o sindicato, decorre dos cortes do governo federal que têm afetado todas as universidades do país e são os estudantes os mais prejudicados.
“Com esse corte do auxilio, vários alunos estão trancando o curso; entre os estudantes que vêm do interior, a maioria não tem condição de se manter e precisado auxílio, muitos alunos se mantêm aqui por causa das bolsas de estudo”, lamenta o estudante de engenharia ambiental Cleyber Vinícius Faria.
Para o estudante Marcel Moura, a falta de investimento também interfere na estrutura de toda a universidade. “São banheiros sem portas, paredes com pichações, cadeiras quebradas nas salas de aula, o restaurante universitário, por exemplo, não tem mais capacidade para atender tantas pessoas. Pode chegar à situação dos alunos saírem da universidade pública e buscar uma particular”, critica.
Segundo os professores, por enquanto os cortes não têm prejudicado o andamento das aulas, mas alguns departamentos da universidade já estão sendo afetados com a falta de materiais básicos e didáticos, como de Xerox e laboratoriais. Segundo o Sintufs, o custo anual da universidade é de R$ 230 milhões.“Estamos sentindo que por inércia a universidade deve parar, inclusive, o próprio reitor disse que se não houver suplemento de verbas a universidade pode ter muitas dificuldades. Existe ainda a possibilidade de parcelamento ou corte de salários, de água, de energia. Isso vai repercutir na produção acadêmica e científica, por consequência na qualidade das aulas, e o que pode ser pior: o encerramento do período”, ressalta o professor do Departamento de Economia, Olinto Silveira Alves Filho (foto).
Os representantes sindicais afirmam que todas as universidades federais do país estão sendo lesadas e há o risco de haver uma grande evasão de estudantes, enquanto que o governo federal perdoa dívidas de bancos e utiliza dos recursos para pagar a dívida pública. Os sindicalistas não possuem dados específicos da situação financeira da UFS e cobram da Reitoria da Universidade que os dados venham a público.
“Nós já solicitamos do reitor, ele ainda não publicou nenhum dado oficial, mas sabemos que o dinheiro da universidade só vai se manter até setembro. A partir de outubro, provavelmente, ou vai ter férias coletivas, interrupção do ano por tempo interminado ou o parcelamento do salário. O dinheiro que é pago para todas as universidades federais é numa faixa de R$ 35 bilhões, mas teve redução de R$ 4 bilhões, então foi para R$ 31 bi este ano, e eles continuam reduzindo”, afirma Wagner Vieira Araujo (ao lado), coordenador de Comunicação do Sintufs.Os sindicalistas planejam um ato público com panfletagem na quarta-feira (2), a partir das 6h, em frente à UFS, e às 10h um debate público no Hall da Reitoria.
Em nota, a UFS informou que a dotação orçamentária liberada pelo MEC corresponde, até o momento, a 70% das despesas de custeio e aproximadamente 50% das despesas de capital. Segundo a reitoria, caso não haja liberação integral de 100% do limite orçamentário relativo a custeio, haverá "inevitavelmente, sérios problemas de execução de despesas de energia, bolsas, pessoal terceirizado (limpeza, segurança, apoio operacional etc)".
Ainda de acordo com a Universidade, a informação repassada extra oficialmente pelo MEC é de um contingenciamento de 15% dos recursos de custeio e de 40% dos recursos de capital. Todas as instituições estão aguardando a definição oficial, sob pena de comprometimento de parte considerável das atividades.
"Até o momento a UFS tem conseguido manter em dia o pagamento de serviços contratados, de modo que todos os serviços essenciais foram mantidos, a despeito da profunda crise econômica e financeira do país", afirma a nota.
Fotos: Fernanda Araujo

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