Sergipe: 193 anos de emancipação política
Cotidiano 08/07/2013 06h57Por Elisângela Valença
Hoje, dia 8 de julho, é uma data especial para os sergipanos. Hoje, Sergipe comemora sua emancipação política do Estado da Bahia pelo decreto de Dom João VI, em 8 de julho de 1820, constituindo-se unidade da nação. “Em termos históricos, 193 anos é nada. Mas, se você considerar que nestes 193 anos se constituiu uma unidade política, econômica e cultural, isso é muito significativo”, disse Samuel Barros de Medeiros de Albuquerque, historiador e diretor do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGS).
Pode-se resumir a emancipação de Sergipe em três áreas e momentos distintos: a emancipação política, a emancipação econômica e a emancipação cultural.
Emancipação política e econômica
Estas duas áreas sempre atuam em conjunto, numa grande simbiose. Uma acaba estimulando a outra. E foi assim com Sergipe. Ele começou a ganhar destaque no campo econômico por conta da indústria açucareira da região do Cotinguiba e Vaza-barris.
“Graças a isso, a elite política e econômica da época começa a se mobilizar para se emancipar politicamente, pois não era vantagem permanecer vinculado à Bahia por conta dos altos tributos cobrados. O processo de exportação também onerava muito as elites, que tinham que usar os portos baianos”, explicou o historiador.
Em 8 de julho de 1820, Dom João VI assina o decreto emancipando Sergipe da Bahia. Mas, meses depois, acontece a revolução liberal do porto, D João VI retorna a Portugal e tem seus poderes enfraquecidos. “Os baianos aproveitam este momento de vulnerabilidade do Reino para reincorporar Sergipe e fazer do decreto uma lei caduca, morta”, contou.
Sergipe se engaja na luta de Independência do Brasil, apoiando D. Pedro I contra os baianos, que não concordavam com a independência do país. Por conta do apoio obtido em Sergipe, D. Pedro I confirma, em 1822, a independência que o pai dele, D João VI, deu dois anos antes.
A emancipação econômica vem se consolidar 1855, com a mudança da capital sergipana de São Cristóvão para Aracaju. “A partir deste momento, Sergipe não depende mais dos portos baianos para exportar sua produção, desonerando e muito a economia sergipana”, disse Samuel.
Mas, quem é sergipano sabe que a emancipação política sempre foi comemorada em duas datas: 8 de julho e 24 de outubro. “Não existe nenhum marco histórico vinculado ao 24 de outubro. Esta foi a data escolhida pelos sergipanos para comemorar a sua emancipação, é uma festa popular. Por isso que, hoje, o 24 de outubro é o Dia da Sergipanidade”, explicou.
Emancipação cultural
A emancipação cultural sergipana tem dois marcos. O primeiro é a criação Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGS), em 1912, conhecido também como a Casa da Sergipanidade. “Este é o momento quando começa a se discutir a cultura sergipana, a identidade sergipana. Este é o espaço que vem sistematicamente estudando a sergipanidade”, disse o diretor.
A consolidação da emancipação cultural acontece com a criação da Universidade Federal de Sergipe (UFS), no final da década de 60. “A UFS é produtora de conhecimento e de cultura. Desde a sua fundação que a UFS pensa e discute a sergipanidade. E isso ficou ainda mais forte com a implantação da Editora UFS”, disse Péricles Andrade, professor do Departamento de Ciências Sociais da UFS e presidente do Conselho da Editora UFS.
Outra instituição que vem trabalhando pela preservação e manutenção da sergipanidade é a Universidade Tiradentes (UNIT). A instituição, além dos diversos trabalhos de extensão desenvolvidos para a comunidade envolvendo professores e alunos de todos os cursos da casa, mantém um vasto acervo que conta a História de Sergipe em diversas áreas.
Alguns exemplos são o Museu Nestor Piva, com material e pesquisas do médico; o Banco de Imagens Lineu Lins, com todo o acervo fotográfico de Lineu, registrando diversos momentos da história e da cultura do Estado; o Memorial de Sergipe, que abriga material da artista plástica Rosa Faria, peças da II Guerra Mundial encontradas em Sergipe, além de salas sobre o cangaço e o folclore; e o Instituto Tobias Barreto, que correu o risco de ser fechado e ter o acervo vendido a granel pois o seu fundador, Luis Antonio Barreto, não tinha mais condições financeiras de mantê-lo.
“Para a Unit, é o maior orgulho valorizar e preservar a história do Estado. Sergipe, mesmo sendo o pequenininho do país em território, é um gigante que produziu tantos filhos de valor nacional e internacional”, disse Jouberto Uchôa de Mendonça, reitor da Unit.

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