Sergipe é o 18º estado a ter comissão de direitos dos animais da OAB
Cotidiano 31/03/2015 13h30

Por Fernanda Araujo

A Comissão de Direito dos Animais da Ordem dos Advogados de Sergipe (OAB/SE), instituída na segunda-feira (30), que defenderá o direito ao respeito e à existência de todos os animais, será presidida por Renata Mezzarano Spektor Cardoso e composta pela vice, Patrícia dos Santos Richrman. A iniciativa é considerada pelos defensores de animais o primeiro passo para dar respaldo às leis e para se chegar a punições mais severas aos agressores. Sergipe, ontem, se transformou no 18º estado brasileiro a ter essa comissão.

Para Nazaré Morais (foto abaixo), presidente da ONG Educação e Legislação Animal – ELAN, a comissão é imprescindível para a criação e manutenção dos direitos dos animais. “É uma consciência crescente, graças a Deus, Sergipe não esperou para ser o último estado do país a fazer isso, mas a relevância disso é gigantesca. Acredito que poderá haver melhor punição e uma abordagem mais correta do respeito à vida”, afirma.

Nazaré se lembra de um caso em Graccho Cardoso, onde um idoso amarrou em seu carro um jegue e o arrastou por cerca de quatro quilômetros, em 2013. “Se nós tivéssemos uma comissão naquela época, imagine o respaldo, a relevância de uma instituição como a OAB estando envolvida nisso. Segundo o FBI, mais de 80% de quem maltrata animal vai terminar fazendo contra a vida humana. Logo em seguida aquele crime, um jovem matou outro jegue de chuchada quase no mesmo lugar. Tem que coibir esses crimes”.

Outros casos graves de agressões contra animais foram registrados no final do ano passado. “Um juiz deu um t

iro em um cachorro em Propriá; uma ninhada de gatos que alguém colocou em um saco plástico e tocou fogo no Bugio; uma gatinha que apareceu no Mercado colocaram bomba e explodiram ela, quase todos ao mesmo tempo”, relembra Nazaré.

Em agosto, a ELAN deve ir à Brasília cobrar a criação de uma CPI dos Animais, de combate ao crime. Entre os assuntos que serão pautados, caso se instaure a CPI, consta a utilização de cavalos em carroça.

“O cavalo vive em média 23 anos, quando utilizado em carroça a vida dele é no máximo cinco anos. E esses corpos sendo jogados à toa. Quando não se respeita a vida dos animais, consequentemente, a vida humana é atingida. Um animal morto não tem cemitério, fica a esmo, todos os insetos que têm contato com esse corpo voltam para o nosso convívio, prejudicando a saúde pública; líquidos podres voltam para os lençóis freáticos, para as torneiras. Só que não tem ninguém pensando nisso”, lamenta.

E continua – Nesse momento, tem esgotos autorizados pela Prefeitura de Aracaju desaguando na lagoa da Sementeira. As bactérias se proliferam, quando chega à época de estiagem a água baixa o nível, tem uma mortandade gigantesca de peixes por afogamento, as aves que comem esses peixes morrem da mesma maneira. Toda essa matéria orgânica contaminada é jogada na natureza sem o menor respeito. Precisamos ter consciência de respeitar a vida do outro sem que sejamos afetados de forma maligna.

Foto principal: OAB/SE

Foto 2: Fernanda Araujo/arquivo F5 News

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