“Sergipe está se notabilizando como um paraíso de empresário caloteiro”
Afirmação é de ex-cobrador da VCA que recorreu a agiota Cotidiano 26/08/2014 14h00Por Fernanda Araujo
Funcionários demitidos da antiga empresa Viação Cidade de Aracaju (VCA), fechada há um ano, voltaram a acampar em frente ao Tribunal Regional do Trabalho, em Sergipe, nesta terça-feira (26), para cobrar agilidade na resolução dos processos contra a empresa. Quase 1.200 ex-funcionários entraram com ações individuais na Justiça por falta de pagamento das rescisões, além de dois meses de salário que ficaram pendentes e três meses de ticket alimentação.
Em entrevista ao programa de rádio ‘A Hora da Verdade’, o advogado do ex-cobrador Enilson Barbosa, Victor Hugo, disse que os funcionários foram jogados do mercado de trabalho sem nada receber. Além disso, muitos receberam descontos de pensão de menor, o que causou várias prisões de funcionários que não conseguiram pagar as pensões alimentícias dos filhos. O advogado relata ainda que a VCA entrou com ação contra a Prefeitura de Arac
aju por conta da retirada instantânea de linhas à época e por alegar débitos do Município à empresa, o que teria atrasado o pagamento da folha. No entanto, os funcionários acreditam que essa é uma forma da empresa maquiar a situação.Já a secretária municipal de Defesa Social e Cidadania e gestora da Superintendência da Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), Georlize Teles, nega qualquer débito existente da Prefeitura com a VCA. Ela enfatiza que a Prefeitura retirou as linhas de circulação na capital justamente porque os funcionários não estavam recebendo seus salários, o que foi motivo de greve, além da própria empresa ter criado dívidas com a Prefeitura. “A empresa já não pagava aos funcionários quando trabalhava e nem à Prefeitura. A Prefeitura tentou negociar com relação a esses débitos em respeito ao usuário do transporte público. A empresa tem seu direito de resolver o que é devido. O Estado de Sergipe todo conhece a histó
ria, a própria empresa causou o caos. Eu fico tranquila em falar desse assunto”, disse Georlize.A F5News o ex-cobrador, Enilson (foto abaixo) afirmou que, atualmente, a dívida aos trabalhadores soma cerca de 30 milhões de reais, sendo a dele de 80 mil reais com o processo já sentenciado, sem contar que a empresa tinha a prática de descontar pensão alimentícia e não repassar ao beneficiado. Enilson diz ainda que quase foi preso por não conseguir pagar pensão, tendo que pedir empréstimo a agiota. “Estou com o nome negativado porque tinha um empréstimo consignado junto ao banco gerador, parceiro da empresa, e a empresa descontou 24 prestações do meu contracheque e não repassou ao banco. A gente pede à Justiça que se sensibilize e nos dê o desfecho dessa situação que já se arrasta por muito tempo. Tivemos colegas que se suicidaram por conta da humilhação de chegar as contas, de ver seu filho precisar de sustento e não ter, colegas ficaram doentes”, relata.
O ex-fun
cionário apela ainda à justiça trabalhista. “Sergipe está se notabilizando como um estado paraíso de empresário caloteiro. Se for fazer retrospectiva: a empresa Nossa Senhora das Graças fechou e não pagou a ninguém, a empresa Fátima, o grupo VCA, e agora a Viação Progresso está indo pelo mesmo caminho, a São Pedro não fechou ainda porque tem muitos abnegados se dedicando por uma boa causa, mas receber dinheiro ninguém está”, lamenta. Enilson Barbosa.Enilson Barbosa diz que está confirmado o leilão da garagem da VCA, avaliada entre R$ 30 a R$ 35 milhões, para o próximo dia 24, segundo o juiz corregedor Antônio Francisco. A situação deve ser irreversível.
F5News tentou falar por telefone com a assessoria de comunicação da VCA, mas não obteve êxito com os números que foram passados.

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos
