Sergipe registra três denúncias de exploração sexual de menores por dia
Cotidiano 17/05/2016 17h30Por Will Rodriguez e Fernanda Araujo
No ano passado, o Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV) notificou uma média de três casos de exploração sexual por dia em Sergipe. Entre as mais de 1200 denúncias, 202 se tornaram inquéritos policiais.
Por trás das estatísticas divulgadas nesta terça-feira (17), persiste a necessidade de que a sociedade civil e a família das vítimas contribuam com o trabalho da Polícia Civil para efetivação do combate à violência contra crianças e adolescentes no estado.
A delegada Lara Schuster, que integra o DAGV, aponta que ainda há uma preocupação com os casos que passam despercebidos aos olhos do Poder Público, mas também dos próprios familiares.
“Muitas vezes o provedor da família é o abusador e as mães acabam não denunciando por conta da dependência econômica e emocional, por isso, é preciso que a sociedade se envolva e denuncie para efetivar o combate. Quando a mãe não denuncia, ela comete crime porque existe negligencia e omissão”, explica.
Em boa parte dos casos, os relatos das vítimas só vêm à tona meses e até anos depois que foi praticado, o que não impede a investigação e não deve servir de pretexto para lançar a situação no esquecimento. Este ano a campanha alusiva ao 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, tem como slogan “Esquecer é permitir, lembrar é combater”.
“É importante o diálogo dos pais, amigos e escola com essas crianças, pois sempre há uma sinalização quando isso acontece”, evidencia a coordenadora do DAGV, delegada Mariana Diniz.E são justamente esses indicadores comportamentais que devem ser observados, conforme destaca a delegada Lara Shusther. “A criança demonstra que tem alguma coisa errada. Fica agressiva, tem pesadelos, volta a fazer xixi na cama, se recusa a ir para alguns lugares, não quer contato com homem (se for abusada por uma pessoa do sexo masculino)”, exemplifica.
A delegada ainda chama atenção para a exposição de crianças à internet. Se por um lado, pode ser uma aliada à educação das nossas futuras gerações, pode também ser a porta de entrada para a violação dos direitos da infância.
“Esse cuidado que a gente tem no mundo real também precisa ter com nossos filhos no mundo virtual. Eles precisam ser orientados. Existem programas bloqueadores para que as crianças não tenham acesso a conteúdos inadequados. O computador deve ficar em lugar acessível da casa e a criança não deve passar o dia inteiro na rede. A internet é o lobo mau dos tempos modernos”, alerta Schuster.
Por que 18 de maio?
Neste dia, em 1973, uma menina de 8 anos, de Vitória (ES), foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada. Seu corpo apareceu seis dias depois, carbonizado e os seus agressores nunca foram punidos.
Com a repercussão do caso, e forte mobilização do movimento em defesa dos direitos das crianças e adolescentes, 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Desde então, esse se tornou o dia para que a população brasileira se una e se manifeste contra esse tipo de violência.
O que é violência sexual?
É a situação em que a criança ou o adolescente é usado para o prazer sexual de uma pessoa mais velha. Ou seja, qualquer ação de interesse sexual, consumado ou não.
É uma violação dos direitos sexuais das crianças e adolescentes, porque abusa ou explora do corpo e da sexualidade, seja pela força ou outra forma de coerção, ao envolver crianças e adolescentes em atividades sexuais impróprias à sua idade, ou ao seu desenvolvimento físico, psicológico e social.
Denuncie
O combate a essa realidade exige que os casos sejam denunciados. Portanto, se souber de algum caso de violência sexual infantil, procure o conselho tutelar, delegacias especializadas, polícias militar, federal ou rodoviária e ligue para o Disque Denúncia Nacional, de número 100.

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos

