“Sergipe tem 120 mil dependentes e apenas 10 vagas para tratamento”, denuncia terapeuta
Cotidiano 26/08/2017 10h35 - Atualizado em 26/08/2017 10h46Dando continuidade ao Seminário “Drogas – Como proteger os jovens e suas famílias”, proposto pelo presidente da Casa, deputado estadual Luciano Bispo (PMDB), nessa sexta-feira (25), na Assembleia Legislativa, o diretor Executivo do Centro Terapêutico Recomeçar, o terapeuta Jorge Augusto Gomides, externou a deficiência no serviço público para o tratamento de dependentes químicos em Sergipe.
Segundo o especialista “em Aracaju temos 30 mil dependentes químicos; em Sergipe chegamos a 120 mil. E para o tratamento o Estado disponibiliza apenas 10 vagas na Clínica São Marcelo. Essas pessoas precisam de tratamento especializado, é um assunto muito grave e precisamos unir forças para sairmos desta estatística. Participo de alguns encontros em Brasília sobre o tema e Sergipe não tem nenhuma pessoa para lhe representar”.
Em seguida ele ressaltou que o menor Estado da Federação poderia ser uma referência, mas esbarra na falta de equipamentos e de vontade política. “É preciso trazer as instituições para este debate. Precisamos de políticas públicas para promover a prevenção. Se investiu milhões na redução dos danos sociais e na saúde, mas esqueceram das pessoas portadoras de doenças”.
Por fim, Jorge Gomides disse que é preciso trabalhar mecanismos para o dependente parar de usar a droga em definitivo, porque ele nunca vai conseguir ter o consumo sob controle. “A vida do dependente tem que seguir sem o uso da droga”. Ele defendeu que se promova um debate amplo com as autoridades e reconheceu que este não é um problema apenas de Segurança Pública. Há sete anos que moro aqui e tento ser ouvido pelo secretário de Estado da Saúde. “A gente precisa ajudar essas pessoas a encontrarem um novo amor”.
Consumo de drogas
A psicóloga clínica Leda Maria Moyses Nobile Sarasqueta trouxe um dado alarmante. Segundo ela, “2% da população brasileira consumiu cocaína ou crack em 2016”. Durante sua palestra, ela chamou a atenção para os riscos da dependência de outras drogas, como o álcool, por exemplo.“Fala-se muito da questão da maconha, mas a gente vê a mídia enfatizando muito nas propagandas as mulheres bonitas e o consumo de álcool que, por sinal, é um dos maiores problemas. São muitos os dependentes que associam a bebida à alegria, ao status social. Existem as dependências das drogas, mas existem as não químicas também, como é o caso dos jogos, das compras compulsivas”, alertou Leda Maria.
Ainda segundo a especialista, 17% dos brasileiros preenchem os critérios de abuso e dependência do álcool e 4,5% dos adultos já consumiram crack ou cocaína e, deste montante, 2% consumiu em 2016, muitos já caíram na dependência. Para Leda Maria, a baixa escolaridade, famílias desestruturadas e alguns ambientes são fatores para o consumo precoce de álcool, por isso, é preciso que mais informações cheguem aos jovens para que saibam o que a droga vai retirar na prática.
“Quanto mais cedo o adolescente se expõe às drogas, mas mais problemas elas terão no cérebro que está em formação. Quem se torna dependente do álcool, por exemplo, tem o sério risco de ficar dependente de outras substâncias. Na pesquisa, 48,3% das pessoas de 12 a 17 anos já fizeram uso de bebida alcóolica. Quem usa a maconha duas ou mais vezes corre o risco de ter depressão ou de ficar esquizofrênica, com delírios e alucinações pelo resto da vida”, completou a especialista.
Falta de interesse
Outro palestrante no evento foi o presidente do Instituto Voz Brasil, o advogado Rodrigo Vasco. Ele destacou que no dia 27 de outubro o Tribunal de Contas abrigará um amplo debate sobre o tema, voltado para prefeitos, secretários de Saúde e demais interessados. Ele lamentou o desinteresse de gestores públicos pelo debate.“Infelizmente nem todo gestor público tem o perfil. Muita gente se dedica a reclamar da violência, mas se promove um debate e as pessoas não prestigiam, não participam. É preciso sair dessa inércia para mudarmos este quadro. Hoje estamos assustados com a falta de unidades terapêuticas para o tratamento desses dependentes”, pontuou o advogado.
Rodrigo Vasco seguiu com uma linha bastante crítica, pontuando que falta interesse em debater um assunto tão fundamental quanto o consumo de drogas. “Infelizmente a gente se depara com uma certa apatia do setor público. E o dependente não pode ser afastado de suas funções por conta do seu estado. Ele precisa do tratamento e deve ser feito como qualquer doença”.
Com informações e fotos Agência Alese

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