Sergipe tem 51 cidades com registros de esquistossomose
Cotidiano 02/11/2017 15h29Dados da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde (SES) apontam para a informação de que Sergipe possui 51 municípios considerados endêmicos para a ocorrência da esquistossomose, popularmente conhecida como barriga d’água. Este ano, o Estado se encontra com prevalência na população de 5.5%, resultado esse que teve como referência a detecção feita por agentes de vigilância epidemiológica junto a quase 28 mil pessoas.
Segundo a gerente de endemias da SES, Sidney Sá, a prevalência diz respeito às ocorrências surgidas constantemente em determinado território, o que não corresponde à existência de surtos. “A SES trabalha com dados relacionados à prevalência na população. Temos, dentro dessa perspectiva, o registro desses 51 municípios considerados prevalentes para a esquistossomose, sendo a maioria deles situada na Grande Aracaju, a exemplo de Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros. As regiões de saúde de Propriá e Estância também são algumas inseridas no grupamento dos municípios considerados endêmicos”, detalhou a gerente.
Sidney Sá destaca ainda que nem todos os municípios sergipanos alimentam o sistema de informação que dão ao Estado e ao Ministério da Saúde (MS) conteúdos mais precisos sobre os casos de esquistossomose. “É interessante que as secretarias municipais de saúde, especialmente das localidades endêmicas para a esquistossomose, realizem as ações de prevenção e de controle do vetor, que é o caramujo, conforme a responsabilidade que lhes cabem. Além disso, os gestores municipais dessa área precisam alimentar os sistemas de informação, cujos dados servirão como referência não só para a SES e para o MS, mas também para eles mesmos. Dessa forma, novas políticas de saúde poderão ser realizadas com mais intensidade, inclusive em parceria com instituições ligadas ao meio ambiente, o que possivelmente trará mais resolutividade para a redução de casos da doença”, esclareceu.
Segundo Sidney, a SES tem cumprido seu papel, que consiste nas ações de retaguarda junto aos municípios, sendo que as atividades de prevenção e controle realizadas pelas secretarias municipais não só acontece em relação à esquistossomose, mas a todas as doenças de notificação compulsória, como a dengue e a tuberculose. No caso da esquistossomose, a SES disponibiliza medicamentos e capacitações para profissionais que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), sendo eles coordenadores de Vigilância Epidemiológica e agentes de endemias.
“Promovemos aos municípios duas reuniões anuais para tratar da problemática da esquistossomose. A última, realizada nas próprias regionais de saúde no último mês de setembro, apresentou abordagem voltada para a qualificação do processo de solicitação de medicamentos, para o tratamento que pode ser realizado junto aos pacientes e para a importância de utilizar o sistema de informação para registro dos casos de esquistossomose. Além disso, a reunião serviu para enfatizar a busca de novos casos através do trabalho desenvolvido pelos agentes e coordenadores de vigilância epidemiológica dos municípios”, acrescentou Sidney Sá.
Esquistossomose
Esquistossomose é uma doença causada pelo Schistosoma mansoni, parasita que tem no homem seu hospedeiro definitivo, mas que necessita de caramujos de água doce como hospedeiros intermediários para desenvolver seu ciclo evolutivo. A transmissão desse parasita se dá pela liberação de seus ovos através das fezes do homem infectado. Em contato com a água, os ovos desabrocham e libertam larvas que morrem se não encontrarem os caramujos para se alojar. Se os encontram, dão continuidade ao ciclo e liberam novas larvas que infectam as águas e, posteriormente, os homens, penetrando em sua pele ou mucosas.
A doença tem uma fase aguda e outra crônica. Na fase aguda, pode apresentar manifestações clínicas como coceiras e dermatites, febre, inapetência, tosse, diarreia, enjoos, vômitos e emagrecimento. Na fase crônica, geralmente assintomática, episódios de diarreia podem alternar-se com períodos de prisão de ventre e a doença pode evoluir para um quadro mais grave com aumento do fígado e cirrose, aumento do baço, hemorragias provocadas por rompimento de veias do esôfago e barriga d’água, quando o abdômen fica dilatado e saliente porque escapa plasma do sangue. É necessário, portanto, que os cidadãos procurem a UBS mais próxima da sua residência para que sejam acompanhados.
Fonte: SES

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