Servidores do Cirurgia cobram salário de fevereiro
Cotidiano 29/03/2018 11h20 - Atualizado em 29/03/2018 11h35

Por Saullo Hipolito*

Com os salários do mês de fevereiro atrasado há 16 dias, funcionários do Hospital de Cirurgia realizaram uma mobilização na manhã desta quinta-feira (29). Para que não houvesse prejuízo no atendimento, o manifesto agregou apenas quem estava saindo do plantão.

A mobilização aconteceu na frente do hospital com o objetivo de chamar a atenção da diretoria e da Secretaria do Estado da Saúde.

Segundo o presidente da Associação dos Amigos e Funcionários do Hospital de Cirurgia, José Cícero, enquanto servidores de outros locais recebem o salário do mês de março, os funcionários do Cirurgia cobram uma posição sobre os salários de fevereiro.

“Chegou a Semana Santa, todo mundo comprando seu peixe e os funcionários do Hospital de Cirurgia chorando, clamando pelo dinheiro para pagar suas contas e passar essa data com alimentos na mesa. Tivemos um episódio hoje pela manhã horrível, uma das funcionárias recebeu uma ameaça de despejo, pois não está conseguindo pagar o aluguel da casa”, disse.

Maria de Lourdes Cruz é técnica de enfermagem e afirma que suas contas estão todas atrasadas e ela não tem condições de pagá-las. “Meus cartões estão vencidos e bloqueados, tenho que comprar mantimentos para minha casa, alimentos para os animais, mas com essa situação fica difícil, são quase dois meses sem receber dinheiro. Vou passar a semana sem peixe, sem chocolates para as crianças porque não tenho condição”, afirma a funcionária.

O pedido principal da associação é que seja culpado o responsável que gerou todo este problema. “Queremos que haja mais união e as pessoas olhem com mais carinho para os funcionários, para ver se a gente sai desse sofrimento mensal”, disse José Cícero.

Ainda de acordo com ele, a previsão era que o salário fosse pago até o quinto dia útil do mês (7), mas não foi obedecido o prazo. Após reunião com a diretoria ficou acertado o pagamento para o dia 15, também não cumprido, com a chegada do fim do mês, os funcionários se reuniram e decidiram organizar uma manifestação, tomada como surpresa pela diretoria, que alegou ter sido convidada para uma reunião na manhã de hoje, mas encontrou a manifestação.

A diretoria, por meio da assessoria do hospital, confirma o débito e indica que o pagamento será efetuado somente quando o depósito do Estado for repassado. De acordo com o contrato a secretaria tem até o último dia do mês para efetuar tal pagamento. A previsão é que o depósito aconteça ainda hoje, sendo transferido o dinheiro para os funcionários na segunda-feira (2) ou terça-feira (3).

Enquanto, perdurar o atraso, funcionários realizarão mobilizações, como a da manhã desta quinta-feira. “No final de semana vamos fazer mais algumas paralisações e caso continue sem o pagamento, na segunda-feira iniciaremos uma greve por tempo indeterminado”, garante José Cícero.

A copeira Aparecida Santos relata a mesma situação. “Tudo que pertence ao hospital está faltando, papel higiênico, alimento, papel toalha. Sem o recebimento eu chego em casa triste, para falar a verdade eu venho trabalhar por amor aos pacientes, eles não merecem ficar sem tratamento, sem alimentação, por isso a gente vem trabalhar. Se eu trabalho é para pagar minhas contas, mas tá difícil”, afirma Aparecida.

Com folha salarial na casa de R$ 4.6 milhões, a diretoria alega não ter caixa para realizar o pagamento dos servidores em dia no momento. A espera fica por conta do repasse do Estado, para que seja estabilizada. Segundo a diretoria, os atrasos ainda são decorrentes dos meses que o hospital ficou sem receber recursos (outubro, novembro e dezembro) da prefeitura.

Para o mês de março, a previsão ainda é de atraso. Está marcada para hoje uma reunião entre diretoria do sindicato e do hospital com o objetivo de esclarecer pontos e definir questões de pagamento salarial.

Resolução

Para solucionar o problema, a diretoria admite estar buscando junto a algumas instituições de crédito a antecipação do dinheiro necessário para o pagamento da folha. Quando sair o dinheiro do Hospital, essa instituição antecipa o valor e ele é pago quando acontecer o repasse do governo, com a cobrança dos juros necessários.

A previsão para que haja esse entendimento com algum banco é 5 de maio. A diretoria do hospital negocia com três bancos atualmente -  Banese, Caixa Econômica Federal e Santander.

* Estagiário sob supervisão da jornalista Fernanda Araujo.

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