Servidores federais continuam paralisados em Sergipe
Cotidiano 31/08/2015 11h27

Por Fernanda Araujo

Estudantes, técnicos e professores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e do Instituto Federal de Sergipe (IFS) denunciam a falta de negociação efetiva por parte do Governo Federal. Em greve há completos 96 dias, os servidores da UFS afirmam que nenhuma das reivindicações foi contemplada.

Os servidores da Saúde Federal e da Previdência Social também estão paralisados há quase dois meses e decidiram na última sexta-feira (28), em assembleia, permanecer em greve. Como forma de pressionar o Governo, as categorias fizeram passeata, na manhã desta segunda-feira (31), enquanto o Fórum dos Servidores Públicos Federais e o Ministério do Planejamento se reúnem em Brasília.

 “É uma greve que se estende em razão da intransigência do governo. Se o governo tivesse apresentado uma proposta convincente para a gente, desde o início, já teríamos encerrado. Mas até o momento não houve nada de relevante”, disse Lucas Gama (foto), presidente do Sintufs.

Um dos pontos é a redução da jornada de trabalho de 40 horas para 30 horas semanais e isonomia de benefícios. “Os servidores federais recebem benefícios distintos, a depender do poder onde aquele trabalhador esteja vinculado. Se estivermos vinculados ao Executivo, o auxílio alimentação e creche é inferior ao que os trabalhadores do Judiciário e do Legislativo federal recebem”, contesta Lucas.

Os servidores da UFS cobram a democratização das universidades e questionam o corte de recursos do orçamento destinado ao Ministério da Educação. Somente este ano, foram mais de R$ 17 bilhões retirados da verba federal. Entre as reivindicações, eles cobram a criação de uma data base “para que a gente saiba anualmente qual o dia da correção da inflação, o aumento que o governo vai nos conceder”, explica.

Corte de orçamento

Para os docentes da UFS, a universidade pode parar de funcionar por falta de pagamentos de itens básicos, devido aos cortes atuais e aos orçamentos do Governo planejados para 2016. Segundo o representante do comando local de greve, professor Benedito Libório, o cenário é o pior possível.

“O que foi anunciado pela Associação dos Reitores é que o corte é de 45%, mas já há rumores de que é bem maior. As obras de ampliação da universidade estão prejudicadas, mas o pior é não dar condições de permanência aos estudantes e a falta de qualidade das instalações de cursos que necessitam de uma estrutura mais adequada, como os de Saúde. A gente está lutando pela manutenção da universidade pública como a gente conhece. Infelizmente, o reitor, ao invés de abrir as contas e mostrar que sofre do mesmo problema, vem seguindo as ordens que são dadas pelo Governo Federal, que é de fingir que está tudo bem”, disse.

“É uma luta não apenas por melhores condições salariais, queremos uma educação que não seja tratada como mercadoria, e os servidores como objeto. É preciso mudar a cara da educação pública do Brasil. O argumento mentiroso do governo de que não tem verba para atender a pauta dos trabalhadores não é verdade, tanto que o Brasil paga cerca de R$ 3 bilhões por dia para a tal dívida pública. Isso é uma vergonha. Porque dinheiro tem e tem demais”, afirma Jailson Cardoso, servidor do IFS.

Foto principal: Ascom/SMTT

​Foto 2: Fernanda Araujo/F5 News

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