Sobre Parir e Renascer: nova obra da Edise traz relatos de partos
Seis mulheres se reuniram para colher experiências, inclusive de companheiros/pais Cotidiano 26/03/2019 09h45 - Atualizado em 26/03/2019 11h45A Editora Diário Oficial de Sergipe - Edise publica sua mais nova obra ‘Sobre Parir e Renascer’. A publicação é organizada por Priscilla Lírio, Graziela Gatto, Márcia Jaqueline, Rainá Burmann, Tamyres Lima e Vivian Reis, um coletivo de seis mulheres - quatro puérperas e duas doulas (sendo uma gestante) - se reuniram em torno de um sonho: produzir um livro a partir de relatos de partos.
O evento de lançamento acontecerá no Museu da Gente Sergipana, no dia 28 de março, às 17h, em Aracaju (SE). A produção apresenta histórias diversas, contando detalhes intrínsecos de cada gravidez, escrita ou contada por puérperas e seus companheiros. O livro mostra também, através de relatos, a visão das doulas - mulheres que oferecem apoio físico e emocional -, tiram dúvidas e orientam as gestantes antes, durante e depois do parto. E ainda há um texto produzido por uma neonatologista, referência em acompanhamentos de partos humanizados em Aracaju.
‘Sobre Parir e Renascer’ é um guia e conselheiro não só para gestantes, mas um composto de informações necessárias e narrativas repletas, não somente de amor e receios vinculados a gestação, como também denúncias de abusos médicos (implícitos e explícitos). A desmistificação do parto natural, e necessidade de se abordar a questão do “parto humanizado” como direito de toda gestante.
A intenção central da comissão organizadora é informar as mulheres e as demais pessoas envolvidas no processo de gestar para que elas tenham consciência nas escolhas durante a gestação e do parto - e em suas consequências. “Tive dois partos cesarianos, achei que já estivesse ‘calejada’, no que diz respeito a parir, mas o meu último parto foi normal, e foi uma experiência completamente nova, não sabia o que estava acontecendo. Toda gravidez é uma experiência única.”, contou Vivian Reis.
Tamyres Lima, doula e amiga das demais organizadoras, contou um pouco de sua experiência como acompanhante profissional desse incrível processo que é a gravidez. “Eu não tenho filhos, e nunca havia me interessado sobre a história de meu nascimento. Há um mito de que doulas são profissionais de luxo. O que fazemos, e eu sempre brinco dizendo isso, é dar o ‘cardápio’ às gestantes, elas escolhem cada detalhe, como querem, o que cabe no seu bolso, tudo fica à disposição das mulheres, colocamos elas em foco, tornam-se protagonistas de sua experiência”.
A violência obstétrica é uma das formas de desumanização para com o corpo da mulher, e infelizmente é uma realidade comum no Brasil. Para Vivian, “a gravidez virou mercadoria, já não se importam mais com a experiência da mulher e dos companheiros. Muitos médicos tentam convencer a realizarem uma cesariana, pois assim pode-se induzir o parto com data e assim, o natural do processo é perdido. Ninguém quer ficar numa sala de parto com uma mulher por mais de doze horas, e depois do limite de tempo, colocam pressão sobre a mulher, para que aceite um parto cesariano, e se a mulher, que está fragilizada com a situação, não tiver um apoio no momento, fica vulnerável e suscetível a qualquer decisão tomada por outra pessoa”.
Ressalta-se também o valor cultural de cada sociedade. Márcia Jaqueline pontua que “a cultura do meu esposo é completamente diferente da nossa, ele é dos Estados Unidos, e lá o parto normal é o mais comum, sugere-se o cesariano apenas em último caso, então tive completo apoio dele para a minha decisão. Já aqui no Brasil, o comum é a cesariana”. “Eu brinco que se para parir fosse necessário um corte, nossa barriga viria com um zíper”, completou Vivian Reis.
Para o presidente da Empresa de Serviços Gráficos de Sergipe, Ricardo Roriz “o livro trata de um tema de suma importância, não apenas para as gestantes, mas para todos envolvidos com o processo, pois além de contar experiências únicas, desconstruir conceitos, informa e denuncia, tudo com o objetivo de encontrar uma solução, uma mudança neste processo, que é completamente natural, mas ainda pouco debatido na sociedade”.
Fonte: Editora Edise

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