Sobreviventes do desabamento em Aracaju tentam reconstruir a vida
Tragédia que vitimou o filho do casal completa 30 dias Cotidiano 19/08/2014 08h01Por Aline Aragão
Falar sobre o assunto ainda é difícil, passaram-se apenas 30 dias, desde o trágico desabamento de um prédio no bairro Coroa do Meio, em Aracaju, no qual o ajudante de Pedreiro Josivaldo da Silva, sua e esposa e os dois filhos, ficaram soterrados por mais de 34 horas. O filho mais novo do casal, um bebê de apenas 11 meses de idade, não resistiu aos ferimentos e faleceu após ser resgatado pelos bombeiros.
Para Josivaldo, a perda do filho tem sido a parte mais difícil de superar. Ele conta que por duas vezes entrou em desespero e pensou em fazer uma besteira, mas graças ao apoio de familiares, e amigos, tem conseguido enfrentar a dor e a saudade do pequeno Ítalo Miguel. “Deus tem um propósito pra mim, ele quis meu filho ao lado dele e me conforta saber que ele está bem agora, e é no Senhor que me apego para superar essa dor e encarar esse novo desafio em minha vida”, desabafou.
O casal antes separado agora vive junto. Josivaldo e Vanice reataram o relacionamento e estão morando em uma casa alugada no bairro Santos Dumont, zona Norte da capital. O aluguel, por enquanto, está sendo pago pelo patrão (dono da obra que desabou); e a família tem recebido doações de móveis e alimentos de pessoas que se comoveram com a história, e também de uma igreja evangélica, da qual passaram a fazer parte.
Para a dona de casa Vanice de Jesus, tem sido um recomeço difícil. Assim como Josivaldo, ela também prefere não falar sobre o assunto, principalmente sobre a perda do filho e conta que está tentando seguir a vida. Para ela, a ajuda dos familiares tem sido fundamental. “Agora estamos mais unidos, minha filha está estudando, nossos familiares estão mais próximos e encontramos apoio também na igreja”, diz.
As marcas no coração e na mente serão eternas, mas as marcas físicas também persistem. Josivaldo ainda sente muita dor na perna e na bacia, ele conta que está a base de remédios e necessita de uma muleta para se locomover. Segundo o ajudante de pedreiro, a família não tem recebido nenhuma ajuda dos órgãos públicos; nem mesmo assistência psicológica ou social como foi prometida. “Não veio mais ninguém aqui. Para ocupar a minha cabeça tento sair e conversar com amigos, porque ficar em casa sozinho, é difícil. Ainda tenho pesadelos e por vezes, sinto medo ao olhar para a laje da casa”, relatou Silva e disse também que não vê a hora de voltar a trabalhar.
Josivaldo, Vanice e Ane Gabriele ganharam uma nova vida; a oportunidade de recomeçar. São para muitos, um milagre; a prova de que Deus existe, e em Deus que eles se apegam para seguir em frente. “Agradeço a Deus e todos que tem nos ajudados, tem sido difícil, mas nós vamos conseguir, mas espero que a morte do meu filho não fique impune.”, disse Josivaldo.
Foto: reprodução TV

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