Suspeitos de crimes não são ameaça à sociedade, segundo justiça
Comandante da PM reclama de quebra no ciclo da segurança pública Cotidiano 12/01/2014 08h38Por Marcio Rocha
A justiça concedeu para Jairo dos Santos Araújo e Roosevelt dos Santos o direito de responder ao processo pela acusação de assalto a banco, por meio do benefício de liberdade provisória. A decisão foi expedida na última sexta-feira (10), dando a liberdade aos dois homens acusados de explodir os caixas eletrônicos do Banco do Brasil da cidade de Moita Bonita, na última quarta-feira (08).
A liberdade provisória dos dois acusados de assalto foi concedida mediante o pagamento de fiança de R$ 2.896, correspondente a quatro salários mínimos. Um dos argumentos apresentados é que os acusados não representam perigo ou ameaça à sociedade, mesmo tendo sido presos em flagrante portando armas de fogo, horas após um assalto praticado com o uso de explosivos.
Também foram soltos nesta semana, mediante o mesmo argumento de não oferecer perigo para a sociedade, os quatro elementos que foram presos em flagrante sob a acusação de praticarem vários assaltos na zona sul de Aracaju. Com os indivíduos foram encontradas armas de grosso calibre, utilizadas nos crimes atribuídos aos “bandidos do Punto preto”, como ficaram conhecidos.
Reincidência
A reportagem F5 News constatou que várias prisões realizadas pela Polícia Militar ao longo do ano foram de elementos que haviam sido presos anteriormente e terminavam voltando a praticar crimes em questão de dias após sua soltura. Segundo um cabo da PM, somente sua equipe prendeu três vezes o mesmo indivíduo em questão de 60 dias, em todas as oportunidades pelo mesmo crime.
O comandante da Polícia Militar, coronel Maurício Iunes, comentou a decisão de libertar os dois assaltantes e lamentou que o ciclo de segurança pública não está sendo completo de forma adequada.
Iunes disse que os elementos que estão sendo presos pela Polícia Militar, são os mesmos que já foram capturados por prática de outros crimes e, em sua maioria, reincidentes do mesmo crime que lhes levou a prisão anteriormente. Para o comandante da PM há a soltura por qualquer motivo, fazendo uma interpretação errônea da lei, prejudicando o cidadão de bem.
“Nós prendemos, mas soltam por qualquer coisa. O delito é cometido pelo meliante, devido à certeza da impunidade que ele tem”, disse o comandante da Polícia Militar para F5 News
O tráfico de drogas, segundo coronel Iunes, é o principal fator para o aumento dos problemas com a segurança da população. Ele destacou que no estado de Sergipe foram feitas várias prisões de traficantes, mas que ao efetuarem a soltura dos presos, estes mesmos voltam para as ruas para praticar os mesmos crimes.
“Já prendemos o mesmo cara quatro, cinco, seis vezes, e pelo mesmo crime na maioria das vezes. O cara vai preso por tráfico, a justiça não deixa ele cumprir sua pena, ele é solto, o que acontece? Ele volta para vender drogas. É a única coisa que ele sabe fazer. Isso é uma falha grave da legislação. Querem fazer segurança, mas não sabem o quanto é difícil, com a quebra do ciclo que deveria garantir a proteção da população”, disse Iunes.
Para ele, a lei que foi feita para proteger o cidadão de bem, está tendo seus valores invertidos para garantir a impunidade dos bandidos. Com a interrupção no andamento do ciclo de segurança, permitindo a volta dos bandidos às ruas, a população fica à mercê da ação dos criminosos. Com isso, não há quantitativo de policiais que impeça a prática delituosa. “Por mais que se prenda bandidos, se continuarem soltando, vai continuar tendo crime. Se nós tivermos 10 mil homens na PM, prenderemos mais, mas a justiça chegará e vai soltar novamente. O bandido pratica o crime, porque tem certeza da impunidade”, afirmou.
Em comparativo com outros estados, os crimes contra a vida praticados em Sergipe são realizados em índices muito menores contra os cidadãos bem. Latrocínios (roubos seguidos de mortes) em Sergipe, são casos muito esporádicos, por exemplo. As mortes provenientes de homicídios tem como alvo, em quase sua totalidade, pessoas que tem algum tipo de ligação com o crime.

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos
