Tabagismo: perigo constante também para os olhos
Acelera o envelhecimento podendo causar cegueira, afirma especialista Cotidiano 29/08/2014 13h00Por Fernanda Araujo
O tabagismo é um vício que afeta bilhões de pessoas em todo o mundo. Parar de fumar requer muito empenho, já que a nicotina causa dependência e provoca alterações físicas, emocionais e comportamentais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os fumantes têm maiores riscos de contrair doenças como câncer de pulmão, bronquite crônica, enfisema pulmonar e derrame cerebral.
No Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, a estimativa da OMS é que um terço da população mundial adulta, ou seja, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas (entre as quais 200 milhões de mulheres) sejam fumantes, sendo 47% da população masculina e 12% feminina. Em 2013, dados do Inca, o Instituto Nacional do Câncer, revelaram que o cigarro é o responsável pela morte de sete brasileiros todos os dias, sendo a principal causa de morte evitável no mundo.
Mas o que pouca gente sabe é que fumar também faz mal aos olhos. Segundo especialistas, este hábito aumenta em pelo menos duas vezes o risco de se desenvolver Catarata e Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), a primeira e a terceira causa de cegueira no mundo, respectivamente. O médico oftalmologista Allan Luz (foto), do Hospital de Olhos de Sergipe (HOS), afirma que o tabagismo afeta a visão em toda a extensão do olho, sendo a superfície ocular (córnea, limbo e a conjuntiva), a parte interna e a retina (o fundo do olho).A fumaça do cigarro agride as células da superfície da córnea, uma delas a chamada Caliciforme. Essa célula produz o muco responsável por uma das camadas da lágrima, o muco. “A lágrima tem três camadas: a lipídica, aquosa – responsável por 90% da lágrima – e o muco que faz com que a lágrima fique aderida no olho. A fumaça destrói essas células, a lágrima começa a não ficar grudada no olho e evapora”, explica.
Entre os sintomas mais frequentes que geram presença nos consultórios estão a vermelhidão, coceira (que pode originar o Ceratocone, outra doença que compromete a visão), irritação e ardência, afirma o médico.
Essa síndrome do olho seco causada pela fumaça, de acordo com Allan Luz, era notada costumeiramente em pessoas de meia idade e, principalmente, mulheres devido às alterações hormonais da idade e à pós-menopausa, quando há produção de lágrima reduzida. Hoje, se vê também em pessoas mais jovens, já que além de sofrer agressões externas como ar condicionado e computador, o cigarro acelera o problema. Quando não diagnosticado e tratado diretamente, o olho seco pode evoluir para uma lesão na superfície ocular podendo causar até a perda da visão.
Na parte interna do olho, o tabagismo acelera o envelhecimento, consequentemente a presença da Catarata, normalmente, a Senil que deixa a visão embaçada. “Eu diria que a Catarata hoje é um ponto mais fácil de ser resolvido porque hoje temos cirurgia extremamente rápida, a laser, e a recuperação é rápida”, avalia.
Já na retina, a perfusão sanguínea de quem é tabagista começa a reduzir podendo causar a Degeneração Macular Relacionada à Idade, também relacionado ao tabagismo e ao envelhecimento precoce. “Jovens começam a ter problemas que talvez só tivessem com 80 ou 90 anos. Esse é o problema mais grave, pois pode comprometer a visão de forma irreversível. Alguns tipos de degeneração macular, como a seca, praticamente não tem muito que fazer”.
Para o oftalmologista, o tabagismo em relação à visão é um problema ainda deixado de lado, já que afeta tantas outras partes do corpo e leva a óbito. No entanto, são prejuízos graves que devem ser divulgados em campanhas de forma mais incisiva. Ele conta que para manter a saúde dos olhos deve ter hábitos de vida saudáveis como exercício físico, boa alimentação, reduzir consumo de álcool e cortar o tabagismo. “Estávamos acostumados a ver todos esses problemas em pessoas já de 50, 60 anos, e hoje vemos de 30, 40 anos de idade. Não tem como medir o mal a sociedade que o tabagismo causa. Em termo de saúde pública, é muito mais barato prevenir do que tratar a perda”, completa.

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos


