Tio de menor morto diz que arma foi plantada pela polícia
Cotidiano 13/03/2014 08h10Por Marcio Rocha
Valderez Motta, tio de David Felipe Motta Santos, morto com um tiro na cabeça durante uma ação policial realizada no conjunto Parque dos Faróis, em Nossa Senhora do Socorro, na manhã de quarta-feira (12), denunciou que a arma que supostamente estava em posse do menor no momento em que ele foi alvejado na cabeça por um policial militar, foi plantada pela própria polícia na cena do crime.
O tio do menor disse que chegou ao local cerca de cinco minutos após a ocorrência e que ao se aproximar, os colegas do policial que atirou contra David, o retiraram do lugar onde o menor terminou morto. Valderez disse que não havia arma nenhuma com o garoto e que os militares tentaram colocar um revólver próximo ao menor, mas ele os impediu de deixarem a arma junto ao corpo de David, já sem vida.
“Não tinha arma nenhuma, tentaram colocar, mas eu não deixei. A polícia manda parar e tem que agir matando? Isso não é ação da polícia, isso é um crime! Eles vinham passando e o condutor não parou, e eles atiraram. Não tem desculpa, o policial atirou pra matar”, reclamou o tio do adolescente morto.
Fugitivo
A respeito do rapaz que estava com David no momento em que o garoto foi morto, o tio do menor disse que desconhece se o condutor da motocicleta é fugitivo do Cenam, ou não. Segundo o tenente-coronel Paulo Paiva, assessor de comunicação da Polícia Militar, o condutor da motocicleta, identificado como “Leozinho” é fugitivo do Cenam e possui ligação com o tráfico de drogas. Paiva destacou que Leozinho tem fotos postadas em redes sociais em posse de duas armas de fogo, inclusive.
Paiva destacou que matar o garoto David, filho de um policial militar, não era a intenção do PM que atirou. Entretanto, quando foi dada a ordem de parada para a motocicleta, o condutor acelerou o veículo, para não ser interceptado e com os dois veículos em movimento, o disparo que teria sido intencionado para atingir até mesmo a motocicleta, atingiu a cabeça do menor.
“Infelizmente o jovem foi atingido na cabeça, mas não era essa a intenção. Os dois veículos estavam em movimento e isso altera a posição da arma”, afirmou Paiva.
Projeção do disparo
A rua 23, no conjunto Parque dos Faróis, local onde houve a morte de David, é uma rua com calçamento de paralelepípedos, com piso irregular, o que provoca trepidação nos veículos, além de eventuais desníveis mais acentuados, que surgem nos lugares de buracos. Com a trepidação, o curso de projeção da arma pode ser alterado e o ponto de disparo mirado no alvo pode sofrer modificação involuntária, com a mudança da direção do disparo, o jovem pode ter sido atingido involuntariamente na cabeça.
A respeito do revólver calibre 32 encontrado com o menor morto na ação policial, Paiva confirmou a existência da arma de fogo e destacou que nas circunstâncias, qualquer policial atiraria.
“Se o indivíduo saca uma arma para atirar contra a guarnição, não adianta. Qualquer policial, seja ele civil ou militar, atiraria para se defender”, finalizou Paiva.

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