Transexuais recorrem à Defensoria Pública para mudança de nome
Cotidiano 31/01/2015 15h00

Cerca de 15 transexuais em Sergipe recorreram à Defensoria Pública do Estado para retificarem o nome durante um Mutirão de Atendimento promovido pela instituição, na última quinta (29), na sede da Associação de Travestis e Transgêneros de Aracaju (Astra). Eles foram atendidos  pelos defensores públicos e membros do Núcleo de Direitos Humanos, Eric Martins e Rosana de Assis, além da psicóloga do Centro Integrado de Atendimento Psicossocial (Ciaps),  Syrlene Besouchet.

Segundo o defensor público Eric Martins, a iniciativa do Mutirão foi levar informação e assegurar os direitos da classe dos transexuais. “A retificação por um nome feminino é fundamental para que eles tenham uma qualidade de vida melhor. A Defensoria Pública irá interpor as ações cabíveis, as quais deverão ser instruídas através de laudo psicológico do Ciaps e demais documentações que comprovem a necessidade de mudança do nome”, explicou.

“Considero essa iniciativa muito importante para tornar conhecido pela população o trabalho desempenhado pela Defensoria, além de facilitar o acesso dos assistidos aos nossos serviços”, pontuou a defensora pública, Rosana de Assis. 

Elen Vieira Suzuki disse que é muito constrangedor usar o nome masculino. “Quando vou ao médico, na hora de chamar, todos olham para mim com cara de espanto, pois como nasci homem e hoje meu corpo é de mulher eles ficam sem acreditar no que veem. Infelizmente, o preconceito ainda existe. Passamos por constrangimentos em todo lugar”, conclama.

“Acredito que através da Defensoria Pública possamos realizar o nosso sonho de sermos chamadas com o nome de mulher, que é isso que representamos e é o que queremos ser. É preciso que a sociedade tenha consciência de que não estamos fazendo mal a alguém, só queremos ser o que nós somos de fato e de direito”, completou Elen.

 A professora, assistente social e ativista do Movimento LGBT, Adriana Lohanna dos Santos, entende que o primeiro ato de inclusão das pessoas travestis e transexuais é o direito à identidade. “A primeira coisa que recebemos quando nascemos é o nome, então, o nome que está no registro é de outra pessoa que não nos identifica. A nossa iniciativa é lutar pelo direito ao nome e à identidade para que essas pessoas se sintam gente na sociedade e, a partir daí, não serem mais discriminados e terem direito a participarem de programas sociais”, disse.

“O preconceito é grande e a população LGBT ainda sofre bastante discriminação. Somos muito marginalizados, principalmente no emprego, onde muitos se negam a dar uma oportunidade a um travesti. Sem alternativas, alguns acabam trabalhando como profissionais do sexo. Imagina uma menina ir para entrevista de emprego e tem o nome de José e o entrevistador ver que é uma mulher? Como as pessoas se comportam? É complicado”, lamenta Lohanna.

Para a representante do movimento LGBT, a Defensoria Pública deu o primeiro passo na retificação do nome de um transexual em Sergipe. “Através da Defensoria temos conseguido alguns processos de retificação, o que representa um avanço, pois já começa a mudar a visão do Tribunal Justiça a cerca do que é a visibilidade do trans, do ser masculino e de que sexo biológico e identidade de gêneros são coisas diferentes. Podemos vivenciar outras formas de sexualidade na nossa vida e ela pode sim ter um órgão sexual masculino e se sentir mulher, ter um órgão feminino e se sentir homem, o que é possível”, frisou.

“A Defensoria Pública nos representa, é a casa da cidadania e a casa do povo. Temos ciência desse amparo jurídico e social da Defensoria e eu sou a prova real disso, porque foi através da Defensoria que consegui retificar o meu nome e o sexo. Foi um processo complicado e o primeiro do Nordeste, mas hoje me sinto feliz e representada pela instituição”, destacou Lohanna.

Fonte e foto: Asscom/Defensoria Pública

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