Transporte público é solução para reduzir poluição
Especialistas defendem estímulo ao uso do transporte coletivo e aumento da eficiência dos veículos Cotidiano 18/01/2018 13h30 - Atualizado em 18/01/2018 13h58Por Fernanda Araujo
O número de automóveis tem crescido ao longo dos anos. Em Sergipe, segundo o Departamento Estadual de Trânsito, existem mais de 706 mil veículos circulando. O crescimento da demanda de carros nas grandes cidades gera, inevitavelmente, impactos ambientais que exigem atenção e estratégia.
O transporte público urbano convencional é considerado o meio mais eficaz para isso. De acordo com a ONG Rodas da Paz, o transporte público polui 17 vezes menos que o privado. Essa alternativa, no entanto, pode ser melhorada com a modernização da frota com tecnologias e formas de energias mais limpa, segundo a engenheira ambiental Gabriela Correia.
“Esse tipo de transporte é uma alternativa com certo grau de sustentabilidade do ponto de vista das emissões de gases do efeito estufa (dióxido de carbono - CO2), quando consideradas as baixas emissões por passageiro transportado - principalmente se o sistema opera com ônibus mais novos, bem mantidos e de modo eficiente, além de corredores com prioridade. Outro ponto em defesa desse tipo de transporte é em relação ao uso do solo no sistema viário, quando comparado ao “espaçoso” e desperdiçador transporte motorizado individual (carro), que carrega em média apenas 1,4 passageiro”, considera a engenheira.
Um estudo divulgado este ano pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), de São Paulo, concluiu que os carros são responsáveis por 72,6% das emissões de gases de efeito estufa do setor de transportes, apesar de levarem apenas cerca de 30% dos passageiros.
Algumas das opções apontadas pela especialista para um transporte mais sustentável são as frotas abastecidas com o biometano, produzido a partir do biogás de rejeitos orgânicos (lixo, esgoto, resíduos agropastoris etc), ou os veículos de tração elétrica, fundamental em áreas ambientalmente sensíveis e congestionadas, mas que exigem estudos de impacto ambiental e podem ter um custo maior para as empresas de transporte. “São experiências que estão sendo aplicadas em vários países como o Ônibus Híbrido Transantiago e os Táxis fluviais do rio Valdívia, ambos no Chile”.
"A frota antiga chega a emitir cerca de 150 vezes mais poluentes que os novos modelos lançados no mercado" (Ministério do Meio Ambiente)
Em Aracaju, alguns mecanismos de preservação do meio ambiente no transporte já estão sendo aplicados. Segundo o Setransp, além do descarte regular de resíduos, existem ações em curso nas empresas de ônibus, além dos investimentos em tecnologia na redução de emissão de poluentes durante a queima de combustível.
“De três anos para cá; os veículos fabricados já vêm com catalisadores, com redutor de emissão de poluentes, um produto que coloca no tanque junto com o combustível que diminui o volume de partículas tóxicas que são liberadas no ar”, explica o presidente do Setransp, Alberto Almeida, ressaltando que essas medidas contribuem para a melhora da qualidade de vida dos usuários do sistema.
Atualmente, os 596 veículos que integram a frota da Grande Aracaju são vistoriados pelo Programa Ambiental do Transporte (Despoluir), da Confederação Nacional do Transporte (CNT), a cada três meses. É feita a aferição do nível de material particulado (fumaça preta) emitido pelos veículos pesados.
Os ônibus e caminhões que estão de acordo com os padrões ambientais recebem o selo do Despoluir, enquanto os motoristas de veículos reprovados são orientados sobre a necessidade de fazer a manutenção correta para emitir menos poluentes e economizar combustível, com base nos parâmetros estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Existe uma política nacional com diretrizes para que empresas de transporte público adotem ações ambientalmente corretas. A LEI n° 8.723/1993 dispõe sobre a redução de emissão de poluentes por veículos automotores. Além disso, Conama emitiu normativos, como a Resolução nº 03/1989 que dispõe sobre níveis de emissão de aldeídos no gás e escapamento de veículos automotores. E a nº 04/1989 dispõe sobre níveis de emissão de Hidrocarbonetos por veículos.
Segundo a engenheira ambiental Gabriela Correia, a eficiência de políticas públicas para transporte em massa é o principal ponto para que o transporte deixe de ser um dos principais agressores do meio ambiente. “Além do incentivo e financiamento às pesquisas e experiências para que novos combustíveis ou até mesmo novos protótipos sejam usados”, aponta.
No entanto, essas mudanças também custam mais caro para as empresas. O aditivo usado no combustível para diminuir a poluição, aumenta em 5% o custo. O diesel F50, utilizado hoje, reduz o volume de poluição, ao contrário do F500, que é mais barato que o atual. “Porém, o efeito positivo para a população compensa esse investimento”, diz Almeida.
Leia também
A difícil rotina de quem não tem acesso ao transporte público
Regulamentação de transportes alternativos ainda gera impasses
Acessibilidade não é apenas o acesso em veículos
A implantação de corredores exclusivos para os ônibus com a licitação do transporte público, segundo o presidente do Setransp, vai beneficiar também o meio ambiente.
“As faixas exclusivas para ônibus são o foco para melhorar a redução de poluentes porque ônibus parado no trânsito queima mais combustível. A priorização do transporte público para que possa circular rapidamente é um grande avanço. A licitação é um marco para a substituição de carros mais adequados, com planejamento de renovação anual”, acredita o representante do setor.
Mas a população também pode contribuir na construção de um trânsito mais sustentável. “A população deve tomar conhecimento das políticas públicas acerca desse tema e cobrar de seus governantes medidas mais eficazes para que o transporte seja mais eficiente e menos poluente”, aponta a engenheira ambiental.
Foto e Infográfico: Will Rodriguez/F5 News

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos

