Usuários relatam dificuldade na marcação de exames nos Cemar
Cotidiano 03/04/2018 10h55 - Atualizado em 06/04/2018 10h19Por Saullo Hipolito*
A dona de casa Maria de Lourdes Lima acorda cedinho, às 3 horas da manhã, se arruma, come, organiza a casa e vai para um ponto específico, perto de sua casa, esperar uma Topic para levá-la a Aracaju, onde ela joga com a sorte, sem saber se conseguirá uma consulta médica.
Essa é a vida da senhora de 54 anos, que mora em Jeremoabo, norte da Bahia, a mais de 200km da capital sergipana e faz acompanhamento em um dos Centros de Especialidades Médicas (Cemar), no bairro Siqueira Campos, zona Oeste. Segundo ela, a dificuldade na marcação de exames e consultas é grande, muitas vezes ela volta para casa sem conseguir ser atendida.
Mas é aí que está o problema, dona Maria de Lourdes não é atendida porque, por diversas vezes, relatam problema em seu cartão do Sistema Único de Saúde (SUS), com isso, ela tem que esperar, fazendo seu tradicional fuxico, de 6h30, horário que chega ao Centro, até às 16h, horário em que todos os outros pacientes passaram por suas consultas e a topic é liberada para seguir a viagem de volta, chegando à noite na cidade baiana.“Eles nem se movimentaram para tentar solucionar, só falaram que não está prestando e que é para eu tentar marcar meu nutricionista no posto de saúde da minha cidade. Isso é tão cansativo, fico o dia todo aqui esperando que os outros se consultem para retornar. Perco todo um dia. Venho sempre aqui porque faço acompanhamento médico, mas na maioria das vezes não consigo nem marcações”, disse a dona de casa.
Assim como ela, muitos pacientes relatam diariamente a dificuldade na marcação de exames e consultas médicas em todas as unidades de saúde pública do Estado. Além disso, procedimentos cirúrgicos são ainda mais difíceis de ser conseguidos, como observa a vendedora autônoma Sandra Maria Cruz, de 42 anos.
“Eu sou usuária do Cemar do Conjunto Augusto Franco, desde 2014 tento fazer minha cirurgia de varizes e não consigo, quando existe troca de gestão, seja municipal ou dentro dos centros médicos, tenho que refazer todos os exames novamente, é como se perdesse tudo na mudança e assim fico a mercê, como a maioria da população que depende do SUS”, disse a dona de casa, que já tinha algumas horas na fila do Cemar do Siqueira, à espera de uma consulta médica.
Sandra Maria relata os transtornos por que passa tanto no Cemar, quanto nos postos de saúde de Rosário do Catete, onde mora. “Se na capital é difícil, lá onde moro fica mais complicado. Estamos aqui no calor, idosos passando mal, médicos em greve lutando por um direito tanto nosso, quanto deles. Consultas com especialistas temos que esperar de seis meses a um ano. É difícil. Nossos representantes precisam ter uma atenção maior pela saúde do município”, afirma.
Segundo a secretária Municipal de Saúde (SMS), Waneska Barboza, apesar do trabalho de reestruturação, nenhum atendimento deixou de ser realizado pela deficiência na estrutura física das unidades. “É verdade que nunca conseguimos atingir a capacidade máxima mensal de atendimentos das duas unidades [27.944 do Siqueira Campos e 6.228 do Augusto Franco], porém, de forma alguma essa realidade pode ser justificada pela falta de estrutura”, afirma.
Paralisação
Na manhã desta terça-feira (3), os médicos que trabalham nos Centros de Especialidades Médicas do Augusto Franco e Siqueira Campos paralisaram suas atividades para chamar a atenção da Prefeitura para a resolução dos problemas apresentados no dossiê.
Segundo o médico especialista e representante do Sindicato dos Médicos (Sindmed), Sérgio Luiz, os profissionais voltam aos seus trabalhos na sexta-feira (6) e esperam uma reunião com representantes da saúde municipal.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, obras estão sendo realizadas para instalação da manta impermeabilizante na cobertura do prédio e posteriormente dos ares condicionados. A secretaria afirma que está aberta ao diálogo com os médicos para resolução dos problemas.
* Estagiário sob supervisão da jornalista Fernanda Araujo.

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