Vingança teria motivado homicídio da transexual Denise Melo
Envolvidos prestaram depoimento e confessaram participação no crime
Cotidiano 04/05/2018 13h00 - Atualizado em 04/05/2018 14h08

Por Saullo Hipolito*

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) prendeu na última sexta-feira (27) um suspeito na participação da morte da cabeleireira transexual Denise Melo. Em depoimento, o acusado afirmou que foi o autor dos disparos e cometeu o crime como vingança a um suposto furto que Denise teria feito à mãe dele, Ângela.

De acordo com a diretora do DHPP, Thereza Simony, foi a partir de uma entrevista do delegado Mário Leone que populares, por meio do Disque Denúncia 181, denunciaram Adilson Porto Silva Filho, 28, conhecido como Cajá Cajá, como autor do crime. As informações, ainda acusaram Naelson Araújo Fonseca, 24, como dono da motocicleta.

“Após investigações coordenadas pelo delegado Mário Leony, foram realizadas interceptações telefônicas que evidenciaram a confirmação do crime realizado pelo Adilson e o empréstimo da motocicleta pelo Naelson, então esse crime está definitivamente elucidado”, afirma Thereza Simony.

Ainda durante a interceptação telefônica, outro crime foi relatado por Adilson, tráfico de armas, que será investigado pela Polícia Civil. Em depoimento, Adilson afirmou que em uma das saídas de Denise com a sua mãe para um barzinho, a cabeleireira furtou uma quantia em dinheiro da bolsa da mulher, enquanto ela estava no banheiro. Ângela teria relatado o caso para ele e isso teria sido a motivação para o crime.

Adilson tem passagem na polícia por roubo de carro e violência doméstica. Os suspeitos estão em prisão temporária e serão indiciados inicialmente por homicídio qualificado. O prazo da prisão temporária é de 30 dias. Nesse prazo, a polícia tenta identificar a real participação de Naelson para saber se ele foi apenas partícipe, ou seja, emprestou a moto sem saber qual o motivo, ou se ele foi coautor do crime.

Segundo o advogado de Naelson, Mikelly Leite, até o momento não foi apurado nada que mantenha seu cliente preso, a única questão que está sendo apurada é o empréstimo da motocicleta. “Ele está sendo vítima da sua própria ingenuidade. Segundo ele, a moto era emprestada para várias pessoas e acabou surgindo esse fato. Até agora ele presta esclarecimentos, mas como não tem envolvimento deverá ter sua prisão revogada”, afirma.

Ao final das investigações o inquérito será concluído e o caso será entregue a justiça.

* Estagiário sob supervisão da jornalista Fernanda Araujo.

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