WhatsApp: inquérito sobre agressões contra juiz será encaminhado à PF
Cotidiano 07/06/2016 11h55

Por Fernanda Araujo

A delegada Rosana Freitas, da Delegacia de Crimes Cibernéticos de Sergipe, já concluiu parte do inquérito que apura as injúrias proferidas pelo carioca Walmir Marques Júnior contra o juiz da Vara Criminal da Comarca de Lagarto, Marcel Maia Montalvão, quando o serviço de WhatsApp foi interrompido por determinação do magistrado no dia 02 de maio.

O inquérito será encaminhado ainda nesta terça-feira (07) para a Polícia Federal, no Rio de Janeiro. Segundo a delegada, durante a instrução que registrou o depoimento do juiz e de uma pessoa que fez Boletim de Ocorrência por ter se sentido ofendido com o conteúdo do vídeo, ficou constatado a ofensa.

“O vídeo foi divulgado em sites com alcance internacional, atingindo um número indeterminado de pessoas porque, além de ofender o juiz diretamente, ele fez ofensas à condição de nordestino, sergipano e lagartense. Como teve um alcance transnacional e como o Brasil é consignatário de uma convenção internacional de repressão a crimes de racismo, esse crime passa a ser de atribuição da Polícia Federal. Será encaminhado ao RJ para que dê continuidade”, explica.

O carioca chegou a ser ouvido através de carta precatória no Rio de Janeiro. Segundo a delegada, neste caso não houve necessidade em trazê-lo para as oitivas em Sergipe. “A pessoa não é obrigada a se deslocar de um estado para outro, a carta precatória é um documento que se envia para a polícia de lá, para ouvir, e eles devolvem com um termo para a gente”, diz.

O caso

No vídeo publicado dia 3 de maio, que circulou em várias redes sociais, Walmir, que é natural do Rio de Janeiro, afirma que Sergipe e Lagarto não fazem parte do Brasil e ainda chama o juiz de “pateta”. O carioca ainda declarou que poderiam classificar a atitude dele como preconceito, mas como resposta à decisão de bloquear o WhatsApp, deveriam ser jogados 80 milhões de ovos em Lagarto porque “o que mais deve ter lá é nego morrendo de fome, que não usa o WhatsApp”. Para terminar, Walmir justifica a decisão afirmando que estamos em um “país de merda”.

Após a repercussão negativa, em outro vídeo, o acusado chegou a pedir perdão pelas declarações e ainda convidou os sergipanos para conhecer o Rio de Janeiro.

 

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